quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Temporariamente fora das redes sociais


Print das telas do meu perfil no Twitter e Facebook principais redes sociais que uso.

Atendendo os preceitos que regem a comunicação entre blogueiros e leitores, faço este post para justificar minha ausência.

Há quatro anos entrei para a Faculdade de Jornalismo, e estando prestes a me formar, preciso de tempo e concentração para encerrar minha monografia. Por este o motivo não estarei atualizando o blog com assiduidade.

Volto dia 14 de dezembro, dia do meu aniversário e semana, ainda sem data marcada, da apresentação do trabalho para a banca. 
 


quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Circuito Vale Europeu Catarinense - Uma aventura sobre rodas


Cristiane diante de uma das placas de indicação do circuito

O circuito de cicloturismo Vale Europeu tem 330 km de percurso, que começa e termina na cidade de Timbó (SC). Para cumprir este curso, são previstos 7 dias e passa pelos municípios de Pomerode, Indaial, Ascurra, Apiúna, Rodeio, Benedito Novo, Doutor Pedrinho e Rio dos Cedros.

Projetado dentro da realidade da área rural, predominantemente de estradas de chão, ele é todo sinalizado com placas e setas amarelas indicativas do caminho a ser seguido. Isso o qualifica como "auto guiado", segundo o próprio site.

Percorrer todo o circuito dá direito a um certificado de conclusão do Cicloturismo Vale Europeu. Para isso os cliclistas devem adquirir um passaporte e parar nos vários pontos indicados para carimbar, apresentando-o ao final. 

Trecho do circuito em estrada de barro.
Porém, existe a possibilidade fazer um trecho mais curto, e esta foi a escolha de Cristiane Delboni e seu marido Cristiano Esmeraldino. Recentemente, no feriado de 01 de novembro, eles fizeram 150 km, num grupo de 25 pessoas e com um serviço de apoio que parava a cada 10 km. Como ela mesma explica "em grupo ninguém pedala sozinho, em caso de necessidade um colega pode dar auxílio a outro".

Mas, Cristiane recomenda fazer reserva antecipada das pousadas, restaurantes e principalmente guias como orientadores. Ela alerta que quem sai sozinho para fazer o trajeto, mesmo com experiência de pedal, conhecendo o percurso que é bem sinalizado, corre o risco de se machucar e não ter a quem pedir socorro. "Porque a pessoa está no meio do nada, são quilômetros e quilômetros entre fazendas sem encontrar ninguém" diz ela.

Mesmo para quem prefere fazer o passeio sozinho é possível agendar um guia exclusivo, como fez um casal de Brasília que encontrou na estrada. Eles, conheceram o circuito através de revista e televisão, fizeram o treinamento em academia e contrataram um guia para acompanhá-los ao estilo "andar na roda". _ O termo "andar na roda" é uma expressão usada no ciclismo, que consiste em andar muito próximo um do outro como forma de proteger os atletas.


Para Cristiane, além da prática esportiva, o que vale é a interação, a troca e o sentido de companheirismo que se estabelece entre as pessoas. Conta como exemplo, que foi picada por uma abelha e um colega, que mal havia conhecido, imediatamente pegou folhas de eucalipto, amassou e fez uma compressa sobre a picada até que chegasse no local dos primeiros socorros.

Curiosamente perguntei se a folha de eucalipto tem efeito terapêutico em picadas de insetos e a fisioterapeuta, de imediato respondeu: "Não sei, vou me informar". E rindo continuou:"Psicologicamente, faz muito bem, porque pedalei o tempo necessário, sem me preocupar com a mão que começava a ficar inchada". 

Mas, as trocas não ficam só nisso. Em determinada, altura, seu marido Cristiano, cansado, decidiu, fazer um trecho com a van. Coincidentemente outro parceiro do pedal, teve que parar porque quebrou a bicicleta. Como, só quem é ciclista entende o que significa sair para pedalar e ter a bicicleta quebrada, ofereceu, sem pestanejar, a sua para aquele companheiro.

Ter o serviço de apoio, serviu também quando Cristiane e outras 6 pessoas preferiram fazer um determinado trecho na caminhonete, para se protegerem do vento que  arremessava galhos de pinheiros  na estrada.

Durante o trajeto, desfruta-se os melhores atrativos da região, como cachoeiras, arquitetura colonial e a natureza, por entre estradas bonitas e tranquilas. Mais próximo das pousadas, a vida em torno da represa, depara-se com casas de alto padrão, piers de frente para o lago, jet ski, lanchas, stand up, canoas para pescar. "Parecia um mundo a parte na vida ao ar livre". 
Vista da represa
Foram três dias pedalando cerca de 40 a 50 km por dia. Em horas, isso representa uma média de 7 horas/dia, "com rápidas paradas, para lanche e almoço, porque o corpo não pode esfriar" explica a ciclista.  

Para o descanso da noite, a escolha foi a Pousada Duwe e Pousada das Palmeiras em frente as barragens.  Elas oferecem quarto individual, casal e coletivo, tipo hostel. Tudo ao estilo alemão e italiano, típico da colonização local, identificado sem margem de erro pelo sotaque carregado dos donos e trabalhadores locais. 
Pousada Duwe
Voltados ao cicloturismo, a maior preocupação desses serviços são as necessidades dos ciclistas. Para tanto pedem sugestões, conversam, interagem em busca do que cada um precisa. Do farto café da manhã, na Pousada Palmeiras, por exemplo, é permitido ao hospede servir-se de lanche extra para levar no caminho a enfrentar. "Isto é um diferencial" comenta a pedalante.
Na chegada, disponibilizam local com ducha para lavar as bikes, secadora de roupas de uso comunitário. Em volta desse serviço, os viajantes sobre rodas, formam uma verdadeira reunião, enquanto aguardam o jantar, onde o assunto é um só: bicicleta. 

_Qual o trecho foi mais difícil, em que momento sentiu cansaço, se o freio ou a marcha da bicicleta falhou. Falam todos ao mesmo tempo, conta a ciclista, ainda entusiasmada, e acrescenta: "exaustos e com a adrenalina no top, na maior sintonia e alegria". 

Mesmo com tudo isso, observa ela, "é preciso crescer mais para atender o turista e falta melhorar a estrutura". Um fato causou, se não decepção, no mínimo uma certa estranheza, à Cristiane. "Nesse ambiente criado para ciclistas, não havia ninguém pedalando naquelas estradas, além do nosso grupo e do casal brasiliense". 

Um dos motivos, apontados, pode ter sido o clima chuvoso daquele dia e o outro, o tamanho do percurso. É necessário se programar com antecedência, têm que coincidir com um feriado ou com época de  férias e quando chega o dia, não podemos nos dar o luxo de não ir "só porque esta chovendo" diz ela, bem humorada.
 
A cidade de Timbó é linda, é movimentada por esse turismo, as lojas comerciais estavam abertas no domingo e  com muitas pessoas caminhando nas ruas, fala com empolgação. Há muitos motivos para querer voltar. O circuito oferece outras atividades como descer de tirolesa,  banhos de cachoeira, e até Hotel 5 estrelas, para passar fins de semana, em Rio dos Cedros, na mesma região.. 

Porém, no caso de Cristiane, além desses motivos, ela confessou que não conseguiu subir um dos trechos de pedras soltas, e o fez a pé empurrando a bicicleta. Sem desanimar, ela faz desta experiência um desafio para  treinar mais, se preparar e  então voltar para subir, agora sem descer da bicicleta.

Cristiane em frente à uma peque na igreja da estrada
Cristiane com a camiseta do blog diante da Cachoeira Véu de Noiva
Cachoeira Véu de Noiva
Trecho de estrada de asfalto com flores do campo amarela nas encostas

Cristiano e Cristiane
Kna Alemão e Cris Amigos que fazem do SuperLinda também um blog de viagem

Seu blog dá acesso ao deficiente visual? 



terça-feira, 6 de novembro de 2018

8 anos do blog SuperLinda



Hoje faz 8 anos que publiquei o texto acima, o primeiro post do SuperLinda.

Quando leio os posts antigos tenho ímpetos em corrigi-los, por encontrar erros, para melhorar a construção da frase e até por pensar que "não era isso que eu queria dizer".

Mas, me contenho. Eles foram escritos com aquele formato, do jeito que estão, contam uma história, uma passagem e a realidade daquele momento.

São eventos que vêm de encontro com o que li sobre o significado do número oito. Dessa forma, me convenci, ainda mais, em deixar o tempo contar a história deste blog, pois é com os erros que crescemos.

Significado do número e da simbologia do 8
"Seu caminho mostra como ele", o regido por este número, "se dedicou e se transformou para chegar até o topo da montanha para adquirir seu prestígio movido à pura ambição. É símbolo de luta, dos enfrentamentos, da guerra pessoal, mas sempre dotados de muita justiça, honestidade, senso ético e moral. O 8 simboliza também o renascimento, a renovação, a regeneração e a vitória pessoal através do enriquecimento".

Que toda ambição e enriquecimento continue em forma de conhecimento, senso ético e moral.


Reflexo
"Sou o reflexo dos meus erros
A imagem dos meus acertos"... frase da página Valdivino V.S. Júnior

domingo, 4 de novembro de 2018

O ouro líquido extraído na Olivícola Laur




O assunto na Acetaia Millan é azeite e aceto. Seria só isso se o interesse da empresa fosse apenas vender. Porém é da divulgação da história, do conhecimento e da cultura sobre a elaboração, destes produtos extraídos da azeitona e da uva, que está fábrica também se especializou.

O azeite, chamado por Homero de "ouro líquido", é extraído da azeitona, o fruto da oliveira, enquanto o aceto balsâmico, tipo Modena, se inicia à partir da seleção de uvas Trebbiano (Ugni Blanc).

Este produto alimentar, de grande qualidade, é produzido na Olivícola Laur a mais antiga da Argentina. Criada em 1906 por Don Francisco Laur, um imigrante francês e o pioneiro no cultivo de azeitonas e produção de óleo no departamento de Maipú em Mendoza.

O caminho em direção a esta tradicional fábrica de azeites, se faz pela via Ruta del Olivo, por entre oliveiras centenárias, moinhos e diversos fabricantes. Aqui, também, o cultivo  desta planta se prolifera beneficiada pelo clima temperado e a excelente água do degelo da Cordilheira dos Andes. 

As primeiras explicações são dadas, logo na chegada, ainda no lado de fora da antiga construção, tendo aos fundos um jardim de oliveiras.  A guia da própria empresa fala dos frutos verdes e pretos, e esclarece  que ambos vêm da mesma árvore. 

As azeitonas pretas são as mesmas azeitonas verdes, só que depois de maduras. São necessários de 8 a 10 quilos delas para produzir um litro de azeite. "Daí a explicação para o alto valor deste produto" diz a recepcionista.

A história da olivícola segue contada entre equipamentos antigos, fora de uso, bem conservados e as máquinas em ótimo estado. A peças distribuídas pelos ambientes por onde os visitantes passam, mostram os objetos pessoais da família Laur, do inicio do século XX, que compõe o acervo do  Museo del Olivo, exposto como decoração.

Em relação a produção atual, conta-nos que é utilizado o método centrifugado contínuo para as mais de 450 mil garrafas de azeite por ano. Embora a colheita ainda seja feita de forma manual, a Olivícola Laur fez uma modernização total no maquinário usado atualmente. Após extraído, o óleo permanece em tonéis de alumínio para a decantação de resíduos por cerca de 2 meses e meio.

Sobre a fabricação do aceto balsâmico revelam, sem contar os segredos, que em 2029 a Acetaia Millan se tornará a primeira empresa a engarrafar aceto balsâmico IGP no hemisfério sul. 

A referência IGP significa "Indicazione Geográfica Protetta", o que protege a origem deste produto. Um balsâmico somente possui o nome “Aceto Balsâmico di Modena IGP” quando este balsâmico é testado e aprovado por duas instituições: Consorzi, na Itália e União Européia, orgãos que garantem os métodos de produção e qualidade do produto.

A visita se encerra na loja de venda dos produtos onde é servido, para degustação, pães, patê de azeitona verde e de azeitona preta, tomate seco reidratado com azeite Laur, azeitonas em conserva, uvas passas (roxas e brancas) acompanhados dos melhores azeites de oliva e aceto balsâmico produzidos na Argentina.


Em 2016, a Olivícola Laur recebeu 27 prêmios em 5 concursos atingindo o oitavo lugar no Evoo World ranking.
















quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Uma oração a todos os nossos santos




O Dia de Todos os Santos é um dia especial do calendário da igreja católica, dedicado a orações e reflexões a todos os santos da fé cristã, em gratidão a luta pela preservação da fé e a palavra de Deus.

A data foi atribuída pelo papa Gregório IV, no ano 835 d.C, a todos aqueles que tiveram uma vida santa, mas não foram lembrados ao longo do ano ou reconhecidos como santos oficialmente pela igreja.

A origem desta homenagem remota ao século IV, na Antioquia, quando recordam os santos mártires no primeiro domingo após Pentecostes.


Oração do Dia de Todos os Santos
“Querido Pai,
Você tem dado aos santos do céu a felicidade eterna que vivem agora na plenitude de Sua glória. Devido ao Seu santo amor, eles também se preocupam comigo e minha família, meus amigos, minha igreja, meus vizinhos. 
Obrigado pelo dom da sua amizade e do testemunho de uma vida santa. 
Eu peço aos nossos santos padroeiros e todos os santos que se tornaram particularmente queridos para mim, a intercessão por nós. Peço-lhes que nos ajude a caminhar com segurança no caminho estreito que conduz ao céu. 
Ó Senhor, dai-nos a sua proteção. Dai-nos a sua assistência para vencer a tentação, ganhando a plenitude da vida. Amém!”





terça-feira, 30 de outubro de 2018

Machismo ainda afasta mulheres da política




Está reportagem foi produzida por Fernanda de Lourdes Pereira, Leticia Caroline Rieper e Raquel Ramos dos Anjos, como estagiárias, para Revi - Digital - da Faculdade de Jornalismo Ielusc



Machismo ainda afasta mulheres da política

Machismo ainda afasta mulheres da política

Por Fernanda Pereira / Leticia Rieper / Raquel Ramos /Foto capa: Agência Nacional

Das 513 cadeiras da Câmara Federal, 77 serão ocupadas por mulheres, na eleição anterior, foram 41. Apesar do acréscimo de 51%, a quantidade ainda é bem inferior à participação dos homens. No Senado, o número permaneceu o mesmo de 2010, com 7 parlamentares mulheres. Santa Catarina não elegeu representante feminina para o Senado, mas 4 candidatas estarão na Câmara Federal a partir de 1º de janeiro. Antes eram apenas duas.
Embora Joinville seja o maior colégio eleitoral do Estado, não contará com nenhuma mulher na Câmara Federal nem na Assembleia Legislativa. O encontro promovido pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Joinville, no mês de setembro, reuniu candidatas de Joinville e região ao pleito de 2018, incluindo Ideli Salvatti do PT, única mulher candidata ao Senado por Santa Catarina. Nenhuma das presentes obteve votos suficientes para se eleger.
Uma das conquistas na luta pelo avanço da inclusão das mulheres nos pleitos eleitorais é a Lei 9.504/97, que obriga cada partido a ter 30% de vagas destinadas às mulheres. O que se percebe, a cada eleição, é uma verdadeira corrida em busca de mulheres para se candidatarem.  A Lei de Cotas aumenta a presença feminina em cargos eleitorais, porém, para se eleger, é preciso enfrentar barreiras que ainda parecem intransponíveis para muitas.
Nas eleições de 2016, para Câmara de Vereadores de Joinville, as mulheres registraram o maior número de candidatos com zero voto, segundo o TRE de Santa Catarina. No total, 13 candidatos tiveram votação igual a zero e, destes, 8 eram mulheres. Sem o apoio dos partidos, sem estrutura, sem experiência, e tudo isso acrescido do preconceito masculino, a Lei de Cotas, na opinião das entrevistadas, pode ser também a causa de as mulheres liderarem as estatísticas de candidatos menos votados.
A advogada Carla Odete Hofmann foi candidata a deputada federal pelo PSDB nas eleições de 2018. Ela analisa que, por conta das cotas, os partidos são obrigados a ter mulheres como candidatas nos pleitos eleitorais, numa proporção de uma mulher para cada três homens. Porém, nem sempre isso se reverte em apoio financeiro e partidário. A ex-candidata de São Bento do Sul, cita o exemplo da Câmara Municipal de Sombrio, no sul do Estado, onde cinco vereadores tiveram o mandato cassado pela inclusão de “mulheres laranjas”. “Só quando a mulher exigir do seu partido político as condições necessárias, assim como as oferecidas aos homens, elas poderão  concorrer com igualdade”, explica Carla.

Falta de respeito

Da mesma forma, Jucélia de Aguiar Mendes, do Partido dos Trabalhadores, candidata a vereadora em 2016, diz que “se a mulher recebeu voto zero, se nem ela mesma votou em si própria, a explicação pode estar no fato de incluírem o nome dela na lista de candidatos sem que a própria mulher tenha conhecimento”. Jucélia passou pela experiência de ver seu nome numa lista de “pré-candidatas” sem ter sido consultada. “Isso é um descaso, uma falta de respeito para com a mulher e precisamos combater”.

Quem também lamenta é a vereadora Tania Regina Larson, candidata à Deputada Estadual pelo Solidariedade. Tania não se elegeu, porém continua cumprindo o mandato na Câmara de Vereadores de Joinville. Ela reafirma a opinião de Jucélia, de que os partidos inscrevem mulheres sem que elas tenham conhecimento e faz referência a uma pessoa que se candidatou na última eleição em troca de favores, pela necessidade de o partido preencher as cotas.
A vereadora conta que é muito comum pessoas se iludirem na política. “Usam-na para ganhar tanques de gasolina e até cestas básicas”. Ela destaca a necessidade de valorização da mulher na política:  “A mulher tem que se valorizar, tem que acreditar no potencial dela’’.
A votação zerada nas urnas também pode representar uma forma de protesto contra a falta de apoio do partido, conforme explica Tatiane Steil, que foi uma dessas mulheres de voto zero nas eleições municipais.

O machismo é uma das causas da dificuldade do envolvimento de mulheres na política, ambiente ainda dominado pelo sexo masculino, além da posição de supremacia dos homens nas religiões. Esse foi o tema que Janice Mendes desenvolveu no seu trabalho de conclusão de curso de Direito. Na pesquisa, ela investigou os agentes causadores da exclusão da mulher na política. Como resultado, ela aponta dois fatores: a cultura de que política não é “coisa para mulher”, mesmo conceito perpetuado por muitas religiões. “É preciso cada vez mais enfrentar essas ideias retrógradas. Para haver um avanço é necessário estar inserida no processo eleitoral”.
Mesmo com a participação da mulher cada vez maior no mercado de trabalho, com a igualdade garantida pela Constituição, Carla Hoffmann diz que a mulher ainda não se efetivou nos cargos políticos porque a maioria dos homens não a quer na vida pública. “O mundo masculino não enxerga a mulher com capacidade de decidir e com possibilidade real de participação nas carreiras políticas”, afirma.
Carla narra um exemplo dessa postura machista, vivida logo após a divulgação do resultado eleitoral, quando os homens também candidatos dirigiam-se a ela e diziam querer sua participação como vice na chapa no pleito de 2020 para Prefeitura Municipal de São Bento do Sul Ela observa que, mesmo como quem faz um elogio, eles sempre colocam a mulher numa posição inferior a deles, ou seja, como “vice”. Com educação, ela se voltou a um deles e afirmou: “Obrigada, mas sou eu que quero você como vice na minha chapa”.

De maneira em geral, as mulheres entrevistadas nesta reportagem têm pensamentos similares em relação à representatividade feminina dentro da política. “A mulher hoje, aquela que é líder, que luta por bandeiras, tem que botar o seu nome na política, não somente por cota, mas sim pelo trabalho e para defender os direitos das mulheres’’, diz Tania Larson. Ela lamenta pelos comentários machistas recebidos em sua rede social:  “Muitos homens ainda não valorizam a mulher e a gente tem que começar a mudar este quadro’’.
Da mesma forma, Tatiana Barreto, que se candidatou à Deputada Federal e é filiada ao PSL, entende que a dificuldade da mulher para se inserir na política é igual em todos os partidos políticos. “A mulher tem que bater de frente porque o homem tem o pensamento da dominação do seu território e a mulher tem a ideia pré-estabelecida de que política é coisa de homem”, diz Tatiana. Ela recorre ao nome de Margareth Tatcher como exemplo de que essa cultura tem que mudar no Brasil, como aconteceu na Inglaterra. Tatcher, conhecida como a Dama de Ferro, foi primeira mulher a assumir o cargo de primeira-ministra do governo britânico, em 1979. Ela permaneceu no cargo por 11 anos.
Bombeira voluntária e profissional de Assistência Social no combate à violência contra a mulher, Tatiana se sente preparada para exercer, com eficiência, um cargo eletivo. “Eu sei, pela prática, a necessidade que a mulher tem quando sai de uma delegacia e vai para a realidade da sua casa, dos reflexos na saúde e no seu psicológico”, afirma ela, que é também estudante de Nutrição.
“Atuar na política não é só se candidatar a cargo eletivo”, explica Estela Menezes. As mulheres precisam também evoluir como eleitoras. Estela se mostra indignada quando ouve algumas dizerem que votam em um ou outro candidato porque é bonito ou charmoso, sem analisar o seu verdadeiro potencial de governante ou legislador. “Nestas eleições de 2018”, constata a ex-candidata, “os eleitores de um modo geral deixaram de votar em grandes nomes com propostas honestas, para votar em quem tinha chance de se eleger conforme as pesquisas. O que vemos hoje é a raiva e o ódio predominando nas campanhas”, destaca a representante do Podemos.
Ela enxerga a mulher com capacidade até maior que a do homem para exercer cargo eletivo e percebe que já passaram a ter mais confiança e a votar mais nas próprias mulheres. “Eu percebi isso na campanha que eu fiz. Trabalhei apenas cinco dias com material oficial do partido e, apesar do pouco tempo, consegui 200 votos”. Apesar da quantidade de votos, ela considera que teve um resultado bom, pois trabalhou “sem dinheiro, sem material, a pé, no antigo estilo político corpo a corpo, sem nenhuma estrutura, focada no bairro Costa e Silva”.
Não foi a primeira eleição em que Estela se candidatou, mas saiu mais satisfeita do que na anterior. Percebeu que está mais conhecida do que na primeira, porém só voltará a concorrer se o partido lhe oferecer condições. “Só é possível vencer uma eleição com estrutura e apoio partidário”, explica. Ela está convencida de que é “conversando nas ruas com o eleitor que se ganha o voto”.

A atuação na política está também nos trabalhos voluntários, associações de moradores ou ONGs. Na opinião de Carla Hofmann, mulheres que fazem esse trabalho começam a ter consciência dos problemas e promovem uma participação política pela vontade de mudança. “É com o poder do cargo eletivo que a mulher vai participar efetivamente das decisões. A munição é muito maior, com possibilidade maior de ação”.
Tania também acredita na importância das experiências aplicadas em trabalhos na comunidade de base para uma candidatura de sucesso. “Desenvolver atividades no bairro, associações beneficentes, igrejas é importante para o candidato se tornar conhecido. É um trabalho que pode levar anos para ser reconhecido. Tem que plantar pra colher na lá na frente”. Ela cita a importância de buscar um suporte para a eleição, um grupo para fortalecimento, não de politicagem, mas sim de ajuda à comunidade.

Um século de luta pelos direitos políticos

As mulheres conquistaram o direito ao voto em 1932, durante o Governo de Getúlio Vargas. Mas nem todas podiam votar, apenas as casadas, com autorização do marido, ou as viúvas e solteiras que tivessem renda própria. Em 1934, as restrições do voto feminino foram retiradas da legislação eleitoral e, em 1946, finalmente, a obrigatoriedade do voto foi estendida para todas as mulheres.
A luta pela democracia da ala feminina é anterior a essas datas, afinal elas também queriam o direito à cidadania, em uma época na qual a mulher era considerada como um ser de  segunda classe, tendo a decisão de seus atos tomadas pelos homens.


Essa contextualização faz parte de uma história muito recente do Brasil. Mesmo com todas essas conquistas, ainda  são necessárias mudanças para que elas consigam ocupar mais espaço na política brasileira. Passados 86 anos  da liberação do voto feminino, a mulher é maioria entre os eleitores, 52% , mas é minoria em representação política, somente 13% no Senado e 15% na Câmara Federal.
A cultura machista é apontada pela maioria das mulheres como o principal problema para a participação na política. Mas a história mostra que o empoderamento e a mudança de comportamento da própria mulher é que fizeram com que as barreiras pudessem ser ultrapassadas e o homem passasse a enxergá-las como pessoas importantes no processo político e eleitoral do país.
A lei  9.504/97, em seu artigo 10, parágrafo terceiro,  determina que: cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo. Mesmo com essa legislação, o principal desafio das legendas é atrair mulheres que se filiem e estejam dispostas a lançar suas candidaturas.

TRE investiga candidaturas de “laranjas”

Marcos Aurélio Fernandes, presidente do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) em Joinville, reconhece que houve evolução da legislação eleitoral, mas que ampliar o quadro de mulheres candidatas ainda é um desafio para os partidos.  Além disso, ele afirma que é importante debater esse assunto, principalmente no cenário atual da política. “Mesmo com as leis estimulando, há um questionamento, esse é um debate do momento, a participação da mulher na política. Ao mesmo tempo, tem candidato à presidência da república que não respeita isso.” O ex-vereador também comenta que o país avançou muito em termos de legislação eleitoral para mulheres, pois, além da cota de candidaturas, a nova legislação sobre o fundo partidário também cria regras para que um percentual de 30% dos recursos obrigatoriamente  sejam gastos com candidatura femininas.
Marquinhos, presidente do PT em Joinville, destaca importância de lideranças femininas no partido
Marquinhos reforça a importância da fiscalização do cidadão para que as mulheres não sejam usadas só como candidatas “laranjas”, isso é,  quando só colocam o nome como candidata, mas, na realidade fazem campanha para angariar votos aos homens. “O TRE, em Santa Catarina, vem agindo através de denúncias de que, em alguns municípios, houve coligações nas eleições municipais de 2016 que colocaram mulheres somente para cumprir a cota. A denúncia conseguiu provar que essas mulheres não fizeram campanha para elas, ou seja, comprova que estavam só para ludibriar, enganar a justiça”.
O partido dos trabalhadores tem grande participação feminina na política já de longa data. Em Santa Catarina, uma das precursoras é Luci Teresinha Choinacki. Filiada ao partido desde 1982, ela foi eleita deputada estadual em 1986 e única mulher na assembleia naquele ano. Foi deputada federal por quatro mandatos, (1990, 1999, 2003 e 2011). Para a região norte catarinense, a referência do partido é Ideli Salvatti, líder operária e com histórica política  na educação e nas pastorais, foi eleita para  assembleia legislativa de SC em 1995 e 1998. Em 2002, foi eleita a primeira senadora de Santa Catarina e, no governo Dilma, assumiu o Ministério da Pesca e Agricultura, cargo que ocupou até 2011. Na esfera Nacional, o PT é o único partido que elegeu e reelegeu uma presidenta da república por dois mandatos consecutivos. Dilma Rousseff assumiu o cargo logo após o término do mandato do ex-presidente Lula e saiu em 2016 por meio de um processo de impeachment.

De olho na renovação

Méruli Peres Furquin, 30 anos, é empresária e atualmente ocupa o cargo de vice-presidente do diretório municipal do Partido Social Liberal (PSL), em Joinville. Desde os quinze anos passou a acompanhar a política em São Francisco do Sul, cidade em que morava na época. Chegou a participar das reuniões da juventude do PT, por influência do pai. “Mas lá vi coisas que não condizem com aquilo que eu acredito. Depois, com a maturidade, fui vendo que o modelo socialista que o PT adota não é referencial, ainda mais por tudo que aconteceu”, comenta. Continuou acompanhando os fatos políticos e, nos últimos cinco anos, em especial, a história de Jair Bolsonaro. “Ele, me despertou conceitos e princípios que eu tenho e que eu acho que é o correto para a sociedade”.
Vice-presidente do diretório do PSL em Joinville, Méruli Furquin interessa-se pela política desde a adolescência
A empresária diz que, no início, recebeu represálias, principalmente na igreja que frequenta, comentários de que mulher não tinha que estar envolvida com política, mas, atualmente, percebe a mudança de comportamento dessas pessoas. “Elas admiram e incentivam, falam: ‘você tem que continuar, a gente precisa de alguém que nos represente’”, afirma. Méruli comenta que, no partido, a maioria ainda é homem, mas é ela quem conduz as reuniões. “Eles respeitam, são bem parceiros, não tem nenhum tipo de retaliação”.
A militante do PSL afirma que a mulher representa renovação na política e que ela também quer fazer parte disso. “Eu, como mulher, quero representar uma limpeza, justiça, até onde eu puder, quando ver que não dá mais, que está difícil, eu não vou atrelar a minha imagem a essas pessoas”. Para Mérulli, no cenário político atual, a principal referência feminina é Janaina Paschoal (PSL), candidata pelo estado de São Paulo, eleita deputada estadual com votação recorde em todo Brasil. “Ela é uma mulher de fibra, de garra, que teve uma votação como deputada estadual fora de série. Fala aquilo que pensa”. Em Santa Catarina, a empresária aponta Ana Caroline Campagnolo (PSL) como uma mulher de destaque. De Itajaí, aos 26 anos, foi eleita em 2018 como Deputada Estadual por Santa Catarina. A deputada eleita Ana Caroline Campagnolo já enfrenta um inquérito civil, movido pelo Ministério Público Federal, além de uma série de manifestações de repúdio de entidades ligadas à educação e da OAB-SC, porque no dia da eleição presidencial publicou um post em redes sociais incitando estudantes a utilizarem celulares para gravar o que ela chama de “doutrinação” de professores em sala de aula.


sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Em "la tierra de malbec"

Plantação de uva
Visita à vinícola Domiciano

Não há exagero nenhum em dizer que Mendoza vive embriagada pela fama do vinho, tamanha é a quantidade de vinícolas que possui. Assim como, não é exagero dizer que o tema, está sempre envolvido em frases de intencionalidade para agir na imaginação de cada um. Sobre o pensamento, o discurso dessas palavras é de amor ao ato de saborear a bebida acompanhado de outros tantos desejos.

A milenar bebida degustada nas vinícolas, oferecida por pessoas habilidosas na arte de vender, fazem da apresentação uma prática rica em história e tradições. Tomar um vinho, esse líquido encantador, basta levar à boca para sentir despertar seu efeito aveludado à base de taninos doces e agradáveis.

É esta a sensação que envolve quem visita a cidade conhecida como a "Adega da Argentina". A região é dona de 80% da produção interna, o que lhe dá o título do quinto maior produtor mundial de vinho e da uva malbec. Essa variedade de uvas vermelhas encontra na capital da província de Mendoza o solo árido, as condições agroclimáticas ideais para a sua produção e plantio.

Durante o passeio a algumas das 100 vinícolas abertas à visitação são dadas explicações desde o cultivo da planta, o processo de engarrafamento, até o consumo final. Para os apreciadores da bebida toda  cultura que envolve o assunto é bem vinda.

Detalhes de que malbec é um vinho que apresenta em sua juventude uma cor vermelho-escura com tons violeta, de aromas de frutas vemelhas como ameixa, cereja, franboesa, podendo sentir notas de baunilha, chocolate e café, fica como conhecimento adquirido. Conhecimento que para os leigos consumidores pode se dissolver ao primeiro gole, porém o sabor, nunca.

Para os amantes do vinho interessa sentir o prazer seco ou doce da enorme variedade, beleza, e sedução que envolve esta cultura.
Plantação de uva na Vinícola Domiciano

Degustação na Vinícola Domiciano
Apresentação dos vinhos















A Bodega Domiciano sensibiliza os visitantes citando a particularidade de que a sua produção é feita a partir da "colheita da uva feita só depois do por do sol nas noites frias de abril". 

Durante a visita guiada, cheia de charme e capricho, as primeiras palavras são ditas com ares de inocência de que naquela adega “produzem vinhos para ser bons”.

Porém, é na característica de uma bodega do "tipo boutique" que ela se faz grande. Este é um conceito moderno que qualifica um local com algo de especial. Neste caso trata-se de um negócio familiar e de pequena produção, com qualidade e medalhas de ouro e prata na Europa.


Explicação dos vinhos e ao fundos a frase "Saber beber es saber vivir".

Escada e ambiente interno da construção da vinícola








O antigo prédio construído há 110 anos, aberto para receber o visitante, a vinícola Vino El Cerno, dá boas vindas com a estimulante frase “Saber beber é saber vivir". 

Em se tratando de vinho, também nada é por acaso. A Vino EL Cerno traz o cerne da tradicional bebidas dos deuses na origem do seu nome. Cerno significa coração de madeiras duras como a de carvalho, onde ocorre o envelhecimento dos vinhos varietais produzidos naquela vinícola. 

Entende-se por vinho varietal aquele elaborado a partir de uma única variedade de uva ou com alta predominância de determinada uva.

Nesta pequena vinícola familiar os vinhos são produzidos com a mesma tecnologia usada pelos imigrantes pioneiros. Sejam tintos, brancos, espumantes, são totalmente naturais sem adição de elementos químicos. 


Quadro da frase "El vino no emborracha te hasse magico!"
Ferramentas e peças antigas usada na vinícola
Expositor de vinhos




















A recepção na Vínicola Florio, não é diferente. A frase estampada junto aos objetos que contam a história desta tradição, "El vino no emborracha, te hace mágico!", é motivante.

Desde 1912, Antonio Florio decidiu dar continuidade na tradição familiar na arte do bom vinho, na cidade de Maipú, província de Mendonza. Um lugar de condições climáticas excepcionais para o desenvolvimento das vinhas.

Aqui a especialidade da casa é o vinho de sobremesa tipo Marsala, Porto, Sherry, espumantes e os varietais como Malbec, Chardonnay. 

Ao final, tenho a nítida sensação de ser proposital a escolha desta, como a última visita do dia. Eu diria que a essa altura, os delicados, adocicados e alcoólicos extratos de uva "no emborracha, ma te hace MUI mágico".


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