sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Assisti à minissérie O Gambito da Rainha



Arte com montagem de fotos de divulgação/Netflix da personagem Beth Harmon em duas fases. Acima, quando criança no cenário do porão do orfanato, usando roupas de cor cinza, cabelos ruivos, corte curto com franja e reto na altura da nuca. Abaixo sentada em uma mesa a frente de um tabuleiro de xadrez. Ela usa vestido preto de gola e mangas compridas.Cabelos ruivos, corte reto na altura do ombro. Nos fundos homens sentados em cadeiras acompanhando o jogo.


De nome estranho, assisti essa minissérie por indicação do amigo Helio de Aquino que tem gosto e critério compatível com o meu para recomendar filmes. Ao final posso afirmar que é excelente.

O Gambito da Rainha conta a história de uma pequena orfã e a sua ascensão à elite do mundo de enxadristas. O filme é uma adaptação do romance escrito por Walter Tevis (1928 – 1984). Não é uma história real. Ela tem uma relação com a vida do autor do livro que era um jogador de xadrez. Esse consultava mestres da vida real para estudar as complexidades e regras do jogo. Uma realidade que repassou para os personagens.

A trama inicia quando Beth Harmon, vivida por Isla Johnson quando criança, aprende o jogo com o zelador do orfanato, Mr. Shaibel (Bill Camp). Embora de temperamento pouco amigável, o zelador desde o início percebe que tem a sua frente um prodígio do xadrez. Aos 13 anos, a personagem passa a ser interpretada por Anya Taylor-Joy. Ela é adotada e sua vida toma um rumo com altos e baixos.

A produção criou um visual de belos cenários e figurinos autênticos da época dos anos 50. Aclamado pela crítica quanto a interpretação dos atores, com desempenho perfeito em externar a emoção dos personagens. São sete episódios que prendem a atenção durante todo o desenrolar dos acontecimentos.

O nome que inspira a minissérie vem de um movimento de abertura no xadrez quando o jogador sacrifica peças para posteriormente ganhar uma posição vantajosa. A ideia de mexer a rainha é sacrificar temporariamente um peão para ganhar o controle do centro do tabuleiro. Essa é a jogada que Beth usa contra Valisy Borgov, o campeão mundial russo, no ápice da história.

Mesmo para quem não joga ou não entende nada de xadrez, a minissérie cria expectativa, desperta interesse nem que seja sobre a origem do nome O Gambito da Rainha.  


Foto divulgação/Netflix. Elizabeth Harmon sentada de costas, em uma sala retangular e comprida, com iluminação baixa e centrada nas várias mesas de participantes do campeonato mundial de xadrez na Rússia. Dos dois lados, separados por um degrau, uma fileira de homens usando terno e gravata sentados para assistir as partidas.

 

Trailer da Minissérie
Link do trailer oficial Netflix



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quinta-feira, 26 de novembro de 2020

110ª Flag do SuperLinda veio da Islândia

 

 

Card feito com uma superposição de imagem. No fundo a aurora boreal em tons de verde e sobre ela o print do registro da 110ª Flag na Islândia do site FlagCounter. O print tem fundo branco, do lado direito a bandeira do Brasil e do lado esquerdo a da Islândia de cor azul,vermelho e branco. Gráficos das visitas. Acima, em letras brancas está escrito o título do post, mais "A terra da Lagoa Azul e da Aurora Boreal. Na parte inferior esta escrito SuperLinda.

 

Este é o registro da 110ª Flag dos diferentes países que acessam o blog SuperLinda. Ela veio da Islândia, a chamada terra do gelo, mas de encantos tão quentes quanto o da Lagoa Azul e da Aurora Boreal.

Muito mais do que “terra do gelo” a Islândia deveria ser chamada de “terra da água”. O país é abundante em fontes termais, como os gêiseres, que lançam água ou vapor em intervalos de tempos regulares.

As paisagens naturais são encantadoras e certamente é o que mais atraí os visitantes a aquele país. O Haukadalur é um parque geotermal que abriga um dos maiores gêiser em atividade, o Strokkur. 

Há também o Parque Nacional de Thingvellir, patrimônio da Humanidade pela Unesco. Neste parque está o Lago Thingvallavatn, o maior lago natural de água quente. 

O país possui muitas cachoeiras, entre elas a Gullfoss, conhecida como “cachoeira de ouro” pela cor dourada da água durante o verão.

A capital Reykjavik é calma e bucólica, mas mantém uma vida social e noturna ativa. A comida é a base de cordeiro e pescados, em especial o bacalhau. Carnes embutidas e defumadas, queijos, além da carne de baleia. Uma questão comercial e cultural do povo.

Islândia, seja bem vinda ao SuperLinda.


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quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Crianças aprendem a arte de tecer tapetes na Oriental Carpet School - Sakkara no Egito.

Um homem e dois meninos sentados em frente ao tear olhando para trás. Eles tecem um tapete em que predomina a cor azul. Acima deles, presos numa corda, há quatorze novelos de fios de várias cores. Na parte superior do card de fundo bege está escrito, em letras escuras, crianças na arte de tecer tapetes. Na parte inferior está o nome SuperLinda.


Os tapetes egípcios estão entre as peças de decoração mais antigas da civilização. Desde os tempos dos faraós eles revestem os templos ocupados por reis e rainhas.  Há muitos séculos eles impõem a qualquer ambiente sofisticação e personalidade.

Ainda feitos artesanalmente esta arte milenar é tecida por mãos incrivelmente rápidas. Essas mesmas mãos habilidosas ensinam crianças a técnica de criar peças que são verdadeiras preciosidades.

Tudo isso acontece em escolas como a Escola de Tapetes Oriental, em Sakkara no Egito. Ela oferece educação escolar para crianças, o ofício especializado de tecelões e assim preservam a cultura egípcia. Uma obra de arte que começa pela criatividade de artistas que desenvolvem o projeto desenhado em uma simples folha de papel quadriculado e colorido com caneta hidrocor. 

O trabalho feito no tear confere à peça um valor especial e riqueza de detalhes. Muitos tapetes contam a história do país, retratam o cotidiano, as criaturas místicas e os deuses celebrados pelo povo. Uma cultura que transcende o tempo carregada de simbologia e beleza. 

 

*Vídeo feito no interior da Escola mostrando homens e crianças tecendo tapetes. 




Parte frontal da entrada da Escola de Tapete. Prédio de tijolos aparente cor amarelo claro. Na parte superior está escrito em árabe e inglês o nome da Escola. Nas laterais cerca viva de cor verde.

Criança sentada no tear, virado para trás, vestindo calça jeans e pulover preto e branco. Ele está borbando um tapete com predominância da cor amarela.

Homem sentado em uma cadeira vermelha em frente a uma mesa. Sobre esta,  uma folha de papel branco quadriculado com o desenho que vai servir de estampa para o tapete. Sobre o papel caneta hidrocor vermelha e preta. Aos fundos pessoas sentada em frente ao tear.

Homem de camisa listrada de cor clara, echarpe de cor vinho no pescoço, sentado no tear, tecendo um tapete estampa branca e preta.

Interior da loja da Escola com muitos tapetes expostos.


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domingo, 15 de novembro de 2020

Minicrônica de um dia de votação.

 


Desde que sou eleitora não lembro de ter encontrado entre os mesários alguém conhecido.


Hoje cedo fui votar. Aguardei a pessoa que estava na minha frente sair e entrei atendendo o chamado do rapaz da mesa a quem entreguei minha identidade. 


Sem pegar no documento ele disse: “Não precisa já localizei o seu título”. Olhei pra ele perguntei: “Como você sabe o meu nome”? Ele respondeu: “Conheço a senhora”. Perguntei novamente: “De onde”?. Ele rindo repetiu: “Conheço a senhora”. Eu também ri e, tentando disfarçar minha surpresa, disse para os três da mesa: “ tão vendo? Não dá para fazer nada de errado na vida. Até de máscara somos reconhecidos”. 


Votei, olhei para o jovem e saí desejando a todos um bom trabalho. Ainda estou sem saber quem é o moço que me reconheceu. Uma sensação estranha. 


Espero encontrá-lo no 2º Turno para, ao menos, perguntar-lhe o nome. 

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

10 anos do blog SuperLinda

 

Quando comecei este blog eu era uma pessoa completamente diferente. Levava uma vida mais enquadrada num formato burocrático tanto quanto é a profissão que tenho. Achava que blog era coisa para escritores e jornalistas. Hoje sou os dois. Incentivada por pessoas próximas e sem projeção de aonde chegaria o blog SuperLinda, hoje ele completa 10 anos. Um caminho feito a base de tentativas, erros e acertos. O que aprendi foi resultado de exercícios ao longo dos anos.

Foi escrevendo, fotografando, conversando, postando e conectando com pessoas que tracei esta trajetória. Quanto mais interagia, mais ia adquirindo conhecimento. Fazer amizades reais e virtuais fizeram toda a diferença. Confesso que quando releio os primeiros posts, de alguns, sinto até vergonha de tê-los publicado. Mas me contenho no impulso de excluí-los pois é a maneira de medir o meu crescimento.
 
Ambos evoluímos: Raquel e o SuperLinda. Sem dúvida a Faculdade de Jornalismo é o marco divisor deste crescimento. O número de matrícula 20150853 jamais será esquecido. Um desafio que me fez viver um mundo de descobertas. A importância de um e de outro foi tamanha que serviu de tema para a minha monografia. Um estudo de observação de elementos textuais e estratégias discursivas de blogs políticos escritos por profissionais formados em jornalismo. Não podia deixar de dar relevância para a categoria de diploma na mão.

Se eu mudei em 10 anos, os blogs muito mais. Quando surgiram em 1997 tinham um conceito associado ao termo "diário pessoal". Atualmente o interesse na monetização mudou essa característica. Por insistir no conceito incial, o SuperLinda ainda traz na essência essa personalidade de um diário pessoal. Aqui o termo blogar por blogar é o espírito que impera. Ser uma digital influencer vai muito mais de quem se deixa influenciar pelos conteúdos do que por imposição minha.

Das mudanças, face a evolução tecnológica, o que mais sinto é que os blogs não são mais tão lidos quanto costumavam ser. As pessoas realmente pararam de ler, e não só os blogs. Atualmente tudo está estruturado em vídeos e fotos. Uma comunicação rápida de quem não tem tempo para nada. Mas fiz da escrita um modo de expressão que não pretendo abandonar. Contar boas histórias é o jornalismo que pratico.
 
Dar mais movimento ao blog é um assunto em estudo, mas confesso resisto em fazer vídeos por total falta de habilidade. Ainda batalho na associação do nome SuperLinda como um blog que sugere assuntos de moda e beleza para mulheres. Porém, mudar agora me parece um despropósito. Esse nome já carrega a personalidade do blog e a minha. As pessoas que se conectam a ele encontram alguém real por detrás das palavras, com quem podem realmente interagir. O que está postado é a minha opinião, as minhas impressões e o meu pensamento.
 
Além disso continuo no caminho contrário de quem defende que os blogs devem ter um assunto específico. Mas a espontaneidade de falar sobre o que me inspira no momento recusa essa orientação. O trabalho de um blog não é tão simples quanto pode parecer. Para escrever, criar conteúdo, ter periodicidade, manter atualizado é necessário dispor de tempo e ter perseverança. Fazer de uma ideia algo que alguém queira ler, exige dedicação. É necessário cuidado em colocar as imagens adequadas  ao texto e legendadas para acesso de deficiente visual.
 
Já não é mais um trabalho que realizo sozinha. Conto com a colaboração da colega e jornalista Fernanda de Lourdes Pereira para a edição de textos maiores e mais complexos. A função de criar arte e divulgar nas redes sociais é assunto delegado à colega, também jornalista, Leticia Rieper. Além da revisão gramatical, um auxílio que recebo,  quando consulto, da minha amiga professora Sara de Moura.

O suporte da parte técnica, layout, plugins, velocidade de carregamento, segurança, trabalhar em sintonia com as expectativas do Google,  é de Ricardo Von Linsingen, desenvolvedor deste site e grande incentivador nestes dez anos. Pesquisar e entender as estatísticas, o porquê de alguns posts terem mais acesso do que outros para os quais nem dei tanta importância é quase um enigma. 
 
Sim, é preciso muita dedicação e tempo para alimentar um blog. Talvez, por isso, já tenha esmorecido tantas vezes. Mas continuo em busca de conteúdos interessantes e com muitas experiências sendo compartilhadas. Os blogs já não fazem mais o papel que tinham quando surgiram, mas ainda é uma ferramenta de pesquisa e que atraí leitores em busca de informação de qualidade. É um ambiente que permite interação, comentário de publicação imediata. As evoluções tecnológicas continuarão, mas saber quem está por traz deste ambiente é a carga de confiabilidade que ainda atraí o leitor. 


Legenda de foto para acesso do deficiente visual. #pracegover. Foto/Card ilustrativa feita com fundo preto, letras e detalhes dourados. Foto minha usando blusa branca, sobre a cabeça foi aplicado chapéu de palhaço dourado com estrelas pretas. Um bolo de cor branca e sobre ele velas representando o número 10. Na parte superior está escrito 10 anos do blog SuperLinda. Arte de Leticia Rieper.

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quinta-feira, 29 de outubro de 2020

A arte do tricô por Lisi Margaux



Foi depois dos 50 anos que a carreira de Lisiane Busmann Ferreira se redefiniu quando passou a se dedicar ao tricô com uma nova perspectiva. Envolvida há muito tempo na arte de tricotar, ela decidiu fazer desta prática a sua atividade principal. 

A paixão pela trama, resultado do trabalho de duas agulhas e um fio, começou quando criança com a mãe, tias e as avós, fazendo roupas de boneca. A atividade foi aperfeiçoada pelas aulas de Artes Femininas no Colégio Nossa Senhora de Lourdes, em Curitiba, e aos 13 anos tricotou a sua primeira blusa.

O novo mundo do tricô começou quando decidiu promover o chamado Dia Mundial de Tricotar em Público. O evento comum na Europa, mais ainda nos Estados Unidos, aconteceu num Shopping da cidade. Lisi conta que ninguém acreditava que uma desconhecida pudesse realizar o evento. Ela surpreendeu a todos e a si mesma quando conseguiu reunir em torno de 150 pessoas. A partir de então, com a divulgação nas redes sociais, foi procurada por blogueiras, deu entrevista para a revista do shopping e viu sua trajetória se transformar completamente.


 

A dona da página do Facebook Lisi Margaux Tricots, uma homenagem a sua mãe Liane Margot, revela que sua vida mudou há cerca de 6 anos. "Em 2003, meu marido comprou duas franquias e por 13 anos trabalhei com ele. Quando vendemos as empresas eu fiquei com o tempo ocioso" diz. Foi quando, já com os filhos crescidos, procurou outras ocupações como participar de grupos de bordado, academia, grupos de literatura e decidiu por dar aulas de tricô. A princípio ensinava em uma loja de bordados e patchwork. 

Não menos importante para a carreira de Lisiane foi quando passou de assistente do Congresso Brasileiro de Tricô para palestrante e hoje atua na organização dos eventos. Já deu aulas no Encontro Gaúcho e fez trabalhos como “tester” para uma tricoteira e designer italiana. A partir daí Lisi entra num mundo do tricô pouco conhecido por muitos. Ela explica: "Quando uma receita é criada, para poder lançar em revistas, é preciso que várias pessoas a executem sem a  orientação de quem criou para ver se a receita funciona". Esse é o papel do "tester" aprovar receitas de tricô.

Outro assunto desconhecido de uma grande parte do público é o alto custo de algumas agulhas de tricô. Recentemente, diz ela: "para confeccionar uma peça tive que comprar um par no valor de 150 reais". Para minha admiração ela revela que existe jogo de agulha que custa até 1000 mil reais. E confessa: "Isso é algo que no começo eu não conhecia. Sabia que existia, mas não conhecia". É realmente outra realidade, outro padrão de trabalho.

Encantada pelo que faz, afirma: "Há tricôs de todos os níveis, a gente tem que tricotar para ser feliz. Eu ajudo qualquer pessoa a aprender a partir daquilo que ela está pronta para fazer". Se é o tricô simples que ela sabe fazer, trabalha-se o tricô simples", e confessa: “é do ponto meia o que eu mais gosto de tecer”. Para garantir um ponto perfeito ela recomenda usar um fio que tenha textura e cores para disfarçar as imperfeições. 

Mesmo disposta a ensinar qualquer pessoa, ela diz que procura "atender as que trabalham da maneira como eu gosto de trabalhar, que estudem a técnica para desenvolver a peça, alunas que querem evoluir". Na página do Facebook criou o projeto TJ – Tricotar Juntos - que funciona da seguinte forma: é postado um modelo e oferecida a opção de formar um grupo que queira tecer aquela peça. É cobrado um valor único de inscrição e "neste caso, dou todo o apoio necessário para desenvolver a peça, da escolha dos fios à tricotagem", explica.

 

Outra opção que há, continua: "é quando uma aluna traz um modelo importado com receita em inglês. Nesse caso faço a tradução, cobro por página traduzida e dou as instruções para a confecção". Como segunda opção: "Se ela não quiser exclusividade e desejar baratear o custo, também é possível lançar no formato Tricotar Juntos".

Lisi comenta sobre a dificuldade de encontrar literatura de tricô. Em 2019 quando deu aulas no Encontro Gaúcho precisou comprar livros importados e declara: "o que recebo por aula não paga o elevado custo desse material". Quando viaja para visitar o filho, que mora na Inglaterra, aproveita e adquire material, estuda e faz cursos.

Quando procurada para tecer uma peça ela só aceita quando a pessoa define o que deseja. Se for para desenvolver o designer, é cobrado este trabalho acrescido do material que a cliente escolher. Essas encomendas "são de valores que variam de 100 a 600 reais, dependendo do fio, nacional ou importado, que  vai ser usado". Por esse motivo ela não faz peças para lojas porque não cobrem o custo e a hora trabalhada. "O peço final não fica vendável" afirma. Mas, já fez peças exclusivas para capa de catálogo de uma boutique do Rio de Janeiro e outra usada por uma modelo em propaganda de televisão. 

Ainda sobre custo e qualidade, conta que neste inverno tricotou uma echarpe, para o filho, em fio Mohair com seda que ele mesmo comprou na Suíça. "Nesta echarpe foram usados dois novelos pelos quais pagou 60 libras" e completa: "No Brasil não temos fio dessa qualidade, nem frio que justifique o uso". Porém destaca o da marca Da Fazenda, uma empresa do Rio Grande do Sul, que fabrica a Lã Merino com tingimento natural. 

Com este fio Lisi desenvolveu um xale encomendado pela designer italiana Paola Albergamo, de Roma. Instagram @PaolaKnitz. Para este trabalho, conta que participou de uma seleção, junto com outras 700 profissionais, de vários países, e foi escolhida entre as 10 primeiras. A empresa Da Fazenda patrocinou o fio e Lisi a manufatura da peça, como uma parceria. A publicação no site da designer, com milhares de seguidores, trouxe visibilidade para ambos  e acrescenta: "São essas coisas diferentes que eu gosto de fazer".

 

A transição para as aulas online foi difícil. "Não tenho habilidade com essa tecnologia. Uso internet somente para estudar e pesquisar. Contei com a ajuda do filho, do marido e das próprias alunas", e conclui: "mas parece que aula não rende tanto quanto a presencial. Tenho que ficar mudando a posição da câmera, para que a aluna veja o que estou fazendo e então reproduzir". No resultado final, pensa "que a aluna não está aprendendo tudo o que eu gostaria ou o quanto que eu queria. Embora elas não achem isso".

Em contrapartida reconhece as possibilidades que esta nova realidade lhe deu e o alcance que tem. "Isto me permitiu ter alunas dos mais distantes lugares.  Dos Estados Unidos, do Piauí, do Rio Grande do Sul, do interior de São Paulo", relata. Antes pesquisava só para as alunas que iam na minha casa, hoje trabalha muito mais do que quando eram aulas presenciais. "Quanto ao ganho, o fato de trabalhar mais não reflete aumento de remuneração" confessou.

Sobre mais interação, comenta que "acabamos de montar um grupo de estudos com a participação de uma colega do Rio Grande do Sul, duas de Curitiba, uma de São Paulo, do Rio de Janeiro e uma dos Estado Unidos", comenta. No Brasil, há cerca de 30 professoras deste nível. A internet possibilitou maior contato entre essas profissionais.

Foi um ano de mudanças, descobertas e alterações de planos. Lisiane revela que tinha uma viagem programada pra levar um grupo de alunas ao Great London Yarn Crawl. Explica que "assim como existe o Pub Crawl, quando as pessoas vão de bar em bar para beber, no Yarn Crawl você paga ingresso e as lojas fornecem receitas exclusivas e promoção na venda de fios". Muitos outros eventos foram cancelados, mas com otimismo ela comenta: "tudo voltará ao normal e muitas viagens hão de acontecer.

Mesmo com toda a prática e conhecimento que tem na arte de tricotar Lisiane diz que ainda há muito o que aprender. Alcançou reconhecimento entre os grandes profissionais deste ramo, mas não perdeu a natureza simples, elegante, delicada e gentil de ser.



Legenda de foto para acesso do deficiente visual. #pracegover. 1- Foto montagem de Lisiane em frente algumas peças por ela confeccionada e outra envolta em um xale cinza confeccionado por ela. No card de fundo branco predominam as cores nude do rosa ao cinza. Na parte superior esta escrito em letras douradas o título "A arte do tricô por Lisi Margaux". Na parte inferior o nome do blog SuperLinda.Arte de Leticia Rieper.

2 - Foto montagem com 3 imagens do Encontro Mundial de Tricotar em Público. Em primeiro plano está Lisi ao lado banner de divulgação do Encontro. Em tamanhos menores, Lisi está ao lado das participantes.

3 - Foto montagem de dois modelos confeccionados pelas alunas de Lisi no projeto TJ. A primeira em cores branco, rosa e cinza, a segunda preto, laranja, branco e rosa. Os modelos são tipo cardigan até a altura do joelho.

4 - Foto do Instagram de Paola Albergamo expondo o xale confeccionado por Lisi. Paola usa calça comprida preta e blusa vermelha. No fundo um painel  de figuras geométricas em tons de verde musgo, branco acizentado e amarelo nude. O xale é de fundo tom terra com detalhes ovais na  cor vermelha com detalhes brancos ao redor no formato oval.

5 - Foto do banner do Encontro Gaúcho com Lisi e outras 7 professoras do evento. 

6 - Foto aproximada das mãos de Lisi tricotando uma peça com fio vermelho. 

 

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sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Enxaqueca: Só quem tem sabe o que é.


 

Ela chega sem pedir licença.  Não escolhe dia, hora, nem lugar. Toma posse do teu corpo. Te causa dor e quem manda é ela. Por algumas horas te coloca numa cama em quarto escuro e de lá você só sai quando ela vai embora. É assim que age uma enxaqueca.

Minha primeira experiência foi quando eu tinha uns 10 anos. No caminho da casa de uma professora, quando fui fazer reforço de aula, senti um leve incômodo no olho. Parecia que havia uma membrana branca e transparente que me impedia de enxergar com nitidez. Na sequencia vieram a dor de cabeça, o enjoo, e a ânsia de vômito. Assustada, e sem intimidade com a professora que me atendia,  me calei. 

Na saída, sem conseguir mais controlar o que saltava do meu estômago comecei a correr para casa. Chorava feito criança, como na verdade eu era, por medo do que estava me acontecendo e pela dor que fazia minha cabeça pulsar parecendo ter o dobro do seu tamanho. Quando entrei em casa, exausta, fui para o quarto, fechei a porta, coloquei um travesseiro sobre a cabeça e dormi. Instintivamente aprendi como fazer quando se tem uma crise de enxaqueca.

Mas, na verdade, eu sabia exatamente o que estava se passando comigo. Esse mesmo mal assolava a vida da minha mãe frequentemente e era comum ouvir os relatos que ela fazia sobre o que sentia nesses momentos. Além, de volta e meia, ouvirmos o pedido para que não fizéssemos barulho porque a mãe estava com enxaqueca. O mesmo comportamento ela passou a ter em relação às minhas crises.

Dessa forma aprendi a sentir na pele o significado daquele pedido e a conviver com esta doença por toda a minha vida. Ela surge sem explicar o porquê. As causas podem ter várias origens: alimentar, emocional, cheiros, calor em demasia, para mim, são as mais comuns. Muitos tratamentos e testes foram feitos e nunca consegui saber qual o motivo certo. A solução foi aprender a lidar da melhor forma possível com respeito à ela e ao meu corpo.

A expressão "só quem tem sabe o que é" cabe perfeitamente ao caso. O corpo não apresenta sintomas, assim como é a febre para uma gripe, um vermelhão para uma alergia, uma tosse, ou coisa parecida. Por isso a enxaqueca, muitas vezes, é considerada uma frescura, quando na verdade ela domina o teu corpo.

Um barulho de tampa de panela na cozinha ressoa como estampido de foguete, a claridade de um dia de chuva entra nos olhos como um facho de lanterna. Ficamos enjoados só de pensar em determinadas comidas. No meu caso, se estiver usando um perfume, num momento de crise, sei que nunca mais voltarei usá-lo. 

Não existe cura, existem remédios que aliviam a dor de cabeça. Ela é imprevisível, e dou graças pelas minhas, que assim como as da minha mãe, não duram mais do que duas horas. Passado este tempo é como se eu não tivesse tido nada. Motivo que leva algumas pessoas a acharem que uso a enxaqueca como desculpa, "só quem tem sabe o que é".

Ela é imprevisível, não respeita teus compromissos, te imobiliza e te faz voltar para casa. Assim como na primeira vez, hoje voltei quando estava a caminho da aula de Pilates. 

Legenda de foto para acesso do deficiente visual. #pracegover. Foto em preto e branco, rosto de mulher com máscara de dormir nos olhos. No card de fundo preto, na parte superior da foto está escrito em letras brancas o título do post "Enxaqueca: Só quem tem sabe o que é". Na parte inferior da foto está escrito SuperLinda.
Arte de Leticia Rieper.

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