quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

E assim se passaram 4 anos da Faculdade de Jornalismo

Foto para o convite de formatura

"Como 25 anos passam depressa quando a gente se diverte". Palavras de Ricardo Amorim se referindo ao aniversário do programa Manhattan Conectition.

Final de ano, um período de retrospectivas, e eu aproveito para fazer a minha, referente aos últimos quatro anos que passei cursando a Faculdade de Jornalismo e que ora se encerra. 

Tudo começou quando num comportamento movido pelo impulso, depois de ler em um outdoor o anúncio do último dia de inscrição para o vestibular do Ielusc, decidi fazer a faculdade de jornalismo.  Sem pensar, fiz o requerimento e fui aceita, sem a necessidade fazer a prova classificatória, visto já possuir outra formação em curso superior. 

Isso foi em 2015. Eu tinha 60 anos, e me vi sentada em bancos escolares, entre jovens com idade de 18. No primeiro dia de aula, me dirigi a eles, e pedi que não me chamassem de senhora, não que eu não fosse, ou quisesse me fazer mocinha, mas só isso poderia diminuir o delay que havia entre nós.
 
Era uma noite de calor intenso, próprio do mês de fevereiro em Joinville, quando eu, com a fragilidade de uma criança no primeiro dia de aula, depois de 40 anos longe da escola, fui até a secretaria em busca de informações sobre a sala da 1ªFase de Jornalismo. Lá de dentro saiu uma mulher loira e disse: "estou indo para lá, me acompanhe", prova incontestável de que havia ouvido a pergunta dirigida à secretária.

E eu a segui. No trajeto, como em "conversas de elevador"(1), que mais tarde vim a entender o significado desta expressão, comentamos sobre o calor, as trovoadas de verão e o novo ano letivo que iniciava. Fomos andando e respondi à outra pergunta, agora com evidente intenção de saber quem eu era. Respondi: "sou aluna" quando esta questionou-me se eu era professora. 

Essa mulher era a professora Marília Crispe de Moraes, a mesma que me orientou na monografia, entregue neste mês de dezembro. Posso afirmar que a mesma pessoa que me ensinou a caminhar dentro da faculdade, me mostrou a porta de saída com o diploma na mão. A minha primeira e última professora do curso, será também madrinha de turma na formatura. Pouco importa se isso é coincidência ou não, o fato é que é verdade, e que tantos "acasos", acabou por trazer-me muitos significados.

Apesar de toda a insegurança pela falta de conhecimento do ambiente físico que eu acabara de pisar, este não foi o pior dia de todos os que passei a partir daquele momento. Baixada a euforia inicial, vontade de desistir foi o que não faltou. O primeiro terrorista da minha vida estudantil foi o professor Silvio Melatti e as suas Técnicas de Apuração Jornalística. Jamais conseguiria aprender a entrar nos portais de transparência para pesquisar informações, baixar, fazer raspagens, transpor para tabelas do Excel, fora os cursos online que ele insiste, ainda hoje, que devemos fazer.

Como se isso não bastasse, veio a aula de Planejamento Visual Impresso, inicialmente com a professora Silvia Mendes. Eu me perguntava: "como pode um ser tão frágil, mas, enorme por dentro, me assustar tanto com algo chamado diagramação. Silvia foi substituída ao longo do semestre pela professora Kérley Winques e nada melhorou, muito pelo contrário. A "pessoinha" que assumia a matéria  tinha uma fala mansa, parecia uma criança de tão novinha que era. Mas, não demorou e botou para fora a sua criatura interior horrenda a me judiar com a evolução do visual impresso para o mundo do jornalismo e mídias digitais.

Mas, como dizem "nada é tão ruim que não possa piorar". Tive certeza disso quando na 4ª Fase enfrentei, no tatame do Ielusc, o professor Sandro Galarça e a sua Teoria e Métodos de Pesquisa. Com uma prova e a nota 4  ele me aplicou um Ippon. Machucada, arrumei o quimono e a faixa branca na cintura, e levantei. Passei na matéria, mas tive que suar e não foi pouco. O relacionamento nos semestres seguintes fluíu melhor e terminou, em vista  dos antecedentes, com chave de ouro, na banca de monografia com nota 8.

E isso ainda não é tudo. Ninguém foi mais carrasca do que a professora Beatriz Cavenaghi. Sim, por detrás daquele rostinho lindo, há uma fera ameaçadora te olhando através de uma câmera de televisão. Curiosa por saber como funciona o YouTube, me inscrevi na matéria optativa(2) YouTube - Linguagem e Mercado. Eu só queria saber como funcionava e ela me obrigou, por fazer parte da ementa, a criar um canal naquela plataforma e postar vídeo que nem eu mesma tenho coragem de assistir.  Mas, hoje conheço todos  os meus  tics, as caras e bocas que faço sem perceber, tento corrigir, e sei qual a postura certa para sair bem nas fotos e vídeos.

Entre quedas e tropeços, uma certeza eu tinha: esses 4 anos iriam passar de qualquer jeito, e cada um escolhe como quer enfrentá-los.  Algumas vezes, meus filhos, se fazendo pais,  me disseram: "agora que começou, termina". Momentos de hesitação diante de medos enormes fizeram parte desse dia a dia. O que falar? Como falar? Como vão me interpretar? Eu não podia me indispor com a turma. Quem me aceitaria para fazer os trabalhos em grupo? Poucos viram esses meus momentos de insegurança, mas existiram e não foram poucos. 

Conviver com jovens é revigorante, mas também é vivenciar a enorme diferença que existe entre as gerações. A comparação é inevitável e nem sempre o lado bom é o que você está. Me formei sem tirar notas  brilhantes, mas fui brilhante em atitudes, em responsabilidade, e no enfrentamento dos desafios. Nestes últimos anos querendo mostrar do que eu era capaz, acabei por mostrar a mim mesma do quanto sou capaz.

Tanta responsabilidade, não quer dizer que eu não tenha sido aluna em todos os sentidos e ações que essa palavra envolve. Reclamei de nota, disse que professor "pensa que não temos mais nada para fazer além dos trabalhos dele", desejei que a data de prova fosse postergada, "maldizia" todos os que nos seguravam na aula após as 22h, e nas 6ª feiras...melhor não detalhar.

Olhava no celular escondido atrás do colega da frente, sempre achando que o professor não estava percebendo. Entre outros tantos comportamento de estudante, atire a primeira pedra quem nunca desejou um evento para "matar aula""e sair tão logo passasse a lista de chamada?
Foram quatro anos de uma luta diária, para hoje, eu poder dizer:"Como 4 anos passam depressa quando a gente se diverte".

Agradeço a todos que fizeram parte da "minha turma da faculdade", vocês não tem noção do quanto foram importantes nessa empreitada. Gostaria de dizer algo de especial para cada um vocês. Porém, mesmo com o contato diário, não tive intimidade suficiente com todos para conhecê-los profundamente. Mas deixo aqui alguns registros importantes.

Leticia Demori -  Ela não tem a bola no pé, tem na cabeça, e quer ter nas mãos os microfones para mostrar o poder da mulher comentarista de esporte.

Fernanda Elisa - Uma grande mulher, admiro sua luta em defesa das minorias e questões sociais, pela honestidade com que você lida por aquilo que acredita.

Jéssica - Do "hoje eu vou causar", nome fantástico de seu blog. Não esquecerei a gentileza que teve comigo, desde o início do curso, passando informações de conteúdo sempre que eu precisava.

Lucas - Nos falamos tão pouco, não foi? Mas para quê? Se a gente sempre se entendeu tão bem?

Maria Luiza  - Jornalista  sempre focada em trabalhos e pautas da sua cidade. Você trouxe Garuva para o mundo virtual no Projeto Experimental e na monografia.

Jeferson -  Adoro você debaixo dos caracóis dos seus cabelos.

Sandreli - Obrigada parceira por ter me salvado em uma tarefa de "produtora" de reportagem para TV. 

Bruno  - Minha maior surpresa não foi te ver como estagiário do Nexos, isso foi só a constatação do jornalista que você é. A maior surpresa mesmo,  foi te assistir cantando no coral do Ielusc.

Vanessa - Foi preciso 3 anos e meio para te conhecer, mas quando aconteceu foi para te aplaudir na banca do Projeto Experimental.   

Alex - ainda hoje se mantém quase que exclusivamente no seu grupo, mas reconheço seu valor e educação.

Kaue  - Garoto jornalista dos games, companheiro de projetos e pautas, responsável. Te admiro muito.

Laura - Tivemos pouca aproximação, mas é uma menina daquelas que leva o jornalismo com o "dedo em riste". Saberá, muito bem, aplicar e defendê-lo com ética.

Ana Carolina João - De tímida a moderada, foi amiga e participava dos trabalhos com muita responsabilidade.

Anna Carolina Azedo  - Me fez chorar ao relatar o drama do seu défict de atenção. Senti como mãe, na pele, a sua dor transformada em alegria pela superação.

Taynara - Uma ótima experiência no Primeira Pauta.

Nathália - Me salvou nas primeira aulas de diagramação.

Camila  - Ruiva linda e natural.  Trabalho em prol da cultura.

Leonardo  - Garoto, gentil, educado sempre com uma palavra boa para te dizer e um sorriso a lhe dar.

Thaline - A delicadeza em pessoa de quem mal se ouvia  a voz. Por certo guardou para ao final soltar de forma estridente em tom de vitória.

Nathan  - Só muito respeito de ambas as partes evitou desentendimentos.

Rhaiana - Tão pequenina e tão grande. Nem de longe parece a mulher de personalidade forte que é.

Larissa - Uma doçura de amizade. Nunca ouvi essa menina reclamar de nada, parecia dar conta de todos os trabalhos sem estresse.

Israel - Jornada integral, matéria optativa, pautas e reportagens. Fizemos tudo isso juntos, só a sua formatura foi adiada, por sua opção, por um semestre. Nada tira o valor da amizade construída.

Thuany  - Não trabalhamos bem no radiojornalismo, mas afinal tudo passou.

Carolina -  Mais uma do time das que pouco ou nada falam, se pudesse ficar transparente para não ser vista, ficava. Na banca de monografia, o que se ouvia era um fio de voz, para ao final sair aprovada e muito sorridente.

Sabrina  - Só sei que é de São Francisco do Sul, que é inteligente, pelas vezes que a ouvi em apresentação de trabalhos, é linda, tímida e calada.

Não tenho palavras para as duas colegas que deixei por último:  Fernanda de Lourdes  e Leticia Rieper a equipe #unidasnosformaremos. Queridas, eu não sei o que seria de mim sem vocês na minha pauta diária.

Logo no início da 2ª Fase a Leticia quis desistir, na 5ª foi a vez da Fernanda, e eu...a cada fase. Por mais que a hastag pareça uma brincadeira, foi ela que nos uniu. No íntimo cada uma de nós sabia que esse elo não podia soltar ou o efeito dominó aconteceria. E cá estamos nós formadas e jornalistas.

Nem todos os que começaram em 2015 estão aqui hoje, seguiram outros rumos em busca dos seus objetivos. Mas, para todos, sem exceção, que estiveram nesse meu processo de crescimento pessoal e intelectual, desejo o mundo de felicidades.

Notas: 
1 - "conversas de elevador" tem um sentido de convencimento. As pessoas sempre querem convencer sobre algo. Quando dizemos "Bom dia" num elevador queremos, no mínimo demonstrar que somos educados, gentis.

2 - matéria optativa é um crédito obrigatório exigido pela Faculdade, de horas/aulas dadas nos sábados pela manhã.
Alunos da 1ª Fase em aula de fotojornalismo
Raquel, Leticia e Fernanda com a plaquinha #unidasnosformaremos
Professoras Amanda Miranda, Marília Moraes e Professor Sandro Galarça banca da monografia
Último dia de aula. Alunos, professsor Silvio Melatti e Professora Lívia Vieira
Raquel, Professora Beatriz, Leticia Rieper, GuilhermeKuhnen, Fernanda e Guilherme Devegilli festejando o encerramento das bancas de monografia.
Seu blog dá acesso ao deficiente visual? Fotos legendadas para acesso do deficiente visual.

3 comentários:

  1. já havia dado parabéns pela graduação.
    agora o faço pela coragem de escancarar a verdade, seus medos e suas lutas internas.
    beijo Quel.

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  2. Relato emocionante!!!! Parabéns Raquel!!!

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