segunda-feira, 2 de abril de 2018

Marcela, um símbolo, uma tradição.


Everaldo, Letícia e eu em frente a gôndola de marcela nas ruas de Santana.

A cidade de Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, estava amarelada por uma flor de tom pastel. Na saída do salão do café da manhã, o recepcionista entregava um sachê feito dessa mesma flor, deixando nítidas evidências de haver uma relação entre uma coisa e outra. Tudo se transformou em motivo suficiente para despertar curiosidade, e na busca da informação, restou um novo conhecimento, qual seja, no Rio Grande do Sul, a colheita da marcela na Sexta-feira Santa é uma tradição. 

O retorno às ruas em busca dos vendedores que lotavam as calçadas, no dia anterior, foi inevitável. E lá, na esquina da Rua Uruguai com Rua dos Andradas, estava um deles que sem economizar simpatia foi falando:

_Ela deve ser colhida no nascer do sol, ainda molhada do sereno.  É usada para fazer chá, explicou Everaldo Vaso Santos, sobre a planta símbolo do Estado gaúcho. E, como quem conta um segredo milenar, confessou ter colocado algumas delas, no mate que acabara de tomar. Serve também para dar sorte e num ato contínuo amassou um punhado da flor sugerindo que fosse guardada na carteira de dinheiro. Para quem não duvida de ditos populares, o molhinho foi recebido como uma ordem.

Letícia Sadowik, que ajudava na venda, enquanto Angela Cabrera, a dona da banca  e esposa de Everaldo não chegava, garantiu sobre os poderes da flor, especialmente para fazer chás.

Ela é uma erva da flora brasileira, também conhecida como marcela-do-mato, carrapichinho-de-agulha ou camomila nacional. Floresce em março e tem cor amarela clara. De aroma agradável serve também para estofo de travesseiros, por ter efeito calmante e poderes benéficos. A marcela nasce mansa, a princípio discreta, delicada, encanta, inebria com seu perfume suave. Para algumas pessoas, o cheiro doce, nem sempre agrada. É tão intensa que parece querer se perpetuar, mas, seca e morre.
 
Marcela é também nome de mulher, porém, nada tem a ver com a planta. Neste caso, ele é um substantivo próprio, feminino de Marcelo, que por sua vez é diminutivo de Marcio.

galhos e flores de marcela

Letícia e Everaldo em frente as flores e o mapa da cidade de Santana.
vista da rua dos Andradas, enquanto conversava com os vendedores de flores.
Sachê recebido no café da manhã do Hotel Jandaia.



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