quinta-feira, 24 de março de 2022

BALNEÁRIO BARRA DO SUL (SC) - Tão longe e tão perto.


Leganda #PraCegoVer Foto no Memorial Pesca da Tainha. Escultura do peixe, cor cinza prateado, desenho das escamas bem definidas e barbatanas. Estou de frente para a praia Boca da Barra, roupa preta com o nome de blog nas costas. Aparece a restinga, o mar e uma ilha.

Longe quando me refiro a tempo. Perto quando me refiro à distância. Residente em Joinville há mais de cinquenta anos, só agora conheci o Balneário de Barra Sul - 40 km daqui. Ainda sem a mira dos holofotes turísticos não se surpreenda ao se deparar com os lounges de descanso na areia da praia ou com as redes que balançam dentro da água ao estilo Jericoaquara de ser.

De um lado a lagoa mansa como ela só. Do outro lado o mar aberto. Inquieto, e revolto normalmente, decidiu por ele próprio ficar liso como quem posa para fotos. Neste dia o sol brilhava refletido como cristal sobre a água.

Uma amiga não cansa de postar fotos se referindo à Barra como o paraíso. Não há dúvida de que a propaganda é a alma do negócio porque, por esse motivo, fui conhecer o tal paraíso.

Vista da Praia de Salinas, mar calmo, pessoas passeando na areia, céu muito azul.

Definitivamente não dão à pequena vila de pescadores o devido valor. A frase “lá não tem nada” afirmada por quem gosta de alta rotatividade turística é verdadeira. Já, a expressão “lá não tem o que fazer” é equivocada. Lá os amigos se reúnem na beira da praia, carregando o seu isopor, por falta de bares e botecos, coisa que eles não fazem questão de ter. Lá eles buscam frutos do mar fresco para preparar em casa. Lá tem a D.Maria que faz a melhor casquinha de siri do mundo, mas tem que pagar com dinheiro "porque essas coisas de cartão e pix, minha filha, eu não sei mexer". 

Com vista privilegiada do alto, há um único restaurante à beira mar no Bairro Salinas: O Bar, Restaurante e Pousada do Chico, estabelecido no local desde 1978. Comércio de pai para filho. Estando a desfrutar da praia, quem quiser comer as delícias preparadas pela cozinha, que suba as escadarias do deck de madeira sobre a restinga. "Não servimos na praia" me informou a garçonete.

Ao lado deste tem a Capela de Oração Nossa Senhora das Graças. Dizem os antigos, que há muitos anos um "louco ameaçou atirar uma bomba sobre Barra do Sul e a Santa a jogou para dentro mar, salvando todos da região". Quem quiser que duvide dos ditos populares. Nesse local, em frente a capela, sempre antes do Ano Novo, o Monsenhor Bertino, de Joinville, reza a missa da Família. Um momento de respeito e religiosidade para a comunidade.

Interior da capela NªSenhora da Graça. No canto esquerdo a imagem da Santa vestida de branco e manto azul. No centro, junto a janela com vista do mar, a imagem da NªSenhora aparecida entre dois vasos de planta.

 

Não é apenas da praia que vivem os moradores de Barra do Sul, o centrinho comercial é completo: lojas de roupas, calçados, telefonia, agencias bancárias, hotéis, restaurantes, pousadas, farmácias, centro hospitalar e é visível a concentração de imobiliárias para compra/venda e locação de imóveis. As rua estreitas, próprias do crescimento urbano sem planejamento, já fazem do trânsito um ir e vir lento, principalmente nos meses da temporada.

O que ainda permanece forte como característica da pequena vila é a quantidade de peixarias. A oferta de camarão, marisco, ostra e peixes está pendurada nas placas em todas as portas. Barcos de pesca atracam na margem do canal do Linguado onde os pescadores comercializam o produto que buscam no mar.

De tão conhecida no comércio de pescados a cidade tem a tradicional Festa da Tainha. A comemoração é grande e na Boca da Barra foi construído o Memorial Pesca da Tainha representado na escultura de um enorme peixe, de mesmo nome, feita em armação de ferro revestida de cimento. A tainha de impressionante semelhança com o peixe natural tem 7 m de altura e é uma homenagem aos pescadores da cidade. Não por coincidência ela foi construída no local onde, em 1962, se deu o maior lanço de tainha. Foram capturados mais 14 mil peixes e, isso não é conversa de pescador, é o que está gravado da placa comemorativa. 

Foto de cima à esquerda, banhistas na rede instalada dentro da Lagoa. Embaixo à direita a escultura do siri.  
 

Em outro local, mais no centro da cidade, rua Jaraguá do Sul, a escultura de um siri com 8 m de comprimento impressiona também pelo tamanho e semelhança com o crustáceo de verdade. Um resgate histórico das mulheres catadoras de siri que tiram deste trabalho o sustento da família. Ambas as obras são do escultor Guilherme da Silveira Ferreira, do Rio Grande do Norte, que assina como Índio Artesão.

Se alguém quiser aproveitar a Barra do Sul na essência que corra pra lá. A cerca de 60 anos a vila pertencia ao Município de Araquari e era habitada apenas por uma população nativa. Não possuía energia elétrica, saneamento básico de distribuição de água e nenhum serviço urbano. O desenvolvimento chegou, projetos e empreendimentos imobiliários se fazem presentes. Hoje oferece infraestrutura aos moradores locais e aos turistas que lotam suas praias no verão. 

Em cima à direita lounges de redes sob coberturas para proteção do sol na praia Boca da Barra. Embaixo na esquerda foto da Lagoa - Canal do Linguado - a margem de grama verde na praia Maria Fernanda

 

O turismo é motivado por praias limpas e pela parte sul do Canal do Linguado chamada apenas de Lagoa. A calmaria da água é própria para banho, bastante convidativo a pescarias, esportes aquáticos e navegação de pequenas embarcações. O pico de movimento turístico ocorre nas quatro semanas em torno do Ano Novo. 

 

Legenda na foto para acesso do deficiente visual #PraCegoVer. Seu blog dá acesso ao deficiente visual? 
Arte de Leticia Rieper

 

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