sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Li o livro Um Banquete para Hitler

Cheirar, comer e rezar. Esta era a realidade que Margot Woelk ou Magda Ritter, uma das provadoras de Hitler, viveu durante os últimos dois anos e meio da 2a Guerra Mundial. 

Como era servir uma refeição para Hitler? Do café da manhã ao jantar, quais as exigências, os procedimentos, os requisitos necessários, exigidos pelo chefe do Reich?

As revelações contadas neste livro foram feitas, em 2013, pela única sobrevivente desta função de que se tem conhecimento. Aos 95 anos, ela decidiu revelar: "Eu era uma das quinze mulheres que provavam a sua comida, pois o Führer era obcecado com a possibilidade de ser envenenado pelos Aliados ou por traidores dentro do seu círculo pessoal". 

Margot foi em busca de trabalho, junto aos orgãos do governo nazista, e sem saber o que faria, acabou sendo selecionada para o serviço. Ela, assim como outras quinze mulheres, tinham que provar toda a comida que seria servida à Hitler.

Durante o período inicial do trabalho, propriamente dito, elas faziam treinamentos para aprender a detectar cheiros de diversos venenos. Quando da prática, caso não fosse identificado pelo olfato, a provadora da refeição ingeria os alimentos. A partir daquele horário, esperava-se uma hora para ver se havia alguma reação e então a comida era oferecida a Hitler.

Elas viviam diariamente o medo e a sensação de estar sempre fazendo a sua última refeição e se revezavam em cada uma delas. Desempenhavam uma atividade perigosa, talvez fatal, mas por ocupar a função de provadora de Hitler, eram tidas como privilegiadas. Além de viver na segurança do Führer, eram protegidas por ele.

Além disso, tinham fartura nas suas próprias refeições diárias. Uma situação muito melhor do a maioria da população da Alemanha, na época. Era considerado um trabalho de honra por defender a vida do líder nazista, reconhecido diariamente por ele mesmo em atitudes e palavras. 

O livro prende a atenção do começo ao fim. A protagonista vive situações privilegiadas sem perder a noção do horror causado pelo nazismo. Pensamentos que eram compartilhados entre poucos que a rodeavam, e por isso exigiu dela uma vida escondida com os seus segredos, antes e depois da guerra, por uma questão de sobrevivência. 

É um romance. Uma ficção baseada em fatos reais, de quem conviveu no dia a dia de Adolph Hitler. Uma história de quem sofreu conflitos, do medo e ódio à dedicação e proteção ao homem considerado um dos mais perversos da humanidade. "Hitller parecia tão normal, quase como um avô", pensava ela enquanto o comparava com aquele mesmo homem que ordenava a destruição de milhares de homens, mulheres e crianças inocentes.   


"Um banquete para Hitler não conta a vida da senhora Woelk embora eu tenha baseado várias cenas do romance em suas experiências. O romance também não se destina a ser uma biografia velada de sua vida" diz o autor  que assina com o pseudônimo de V.S.Alexander.


Legenda da arte para acesso do deficiente visual. Foto da capa do livro. Fundo esverdeado. Uma mulher com vestido de cor marrom, mangas compridas, detalhes rendados na gola e punhos, uma xícara nas mãos. Em letras de cor branca está escrito o nome do livro e a frase "A morte está servida". Em letras amarelas o nome do autor. #pracegover. 

Arte: Leticia Rieper - Seu blog dá acesso ao deficiente visual?   

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