terça-feira, 22 de novembro de 2016

Lá no apartamento do Rui

Arte Iugui Comunicações

Lá no apartamento do Rui. É assim que eu respondo quando me perguntam onde estou morando. Ainda não consegui chamar de "minha", mas é assim que me sinto. Na minha casa. Completamente à vontade como se tivesse morado aqui a vida inteira. 

A decisão de vir para cá, onde eu estou, envolveu uma grande carga emocional, aceitação familiar, lembranças e sentimentos. Me emociona o sentido que essa mudança de casa traz para mim. Quem hoje me acolhe é ele. Me parece uma grande ironia.

Muito antes de nos casarmos, tínhamos uma relação de pura e grande amizade. Saíamos juntos, conversávamos muito, viajávamos, arrumávamos  namorado (a) um para o outro. A afinidade era tanta que confundimos amor com amizade e resolvemos casar. Se você ainda não leu o que penso sobre "Amor e Amizade" clique neste link.

Tivemos dois filhos. Só com ele eu poderia ter os filhos que tive. Homens honrados e de índole impecável tal qual o pai. Vivemos bem durante muitos anos. Entretanto, um casamento tem que haver amizade, mas ele não sobrevive de amizade. A separação veio e com elas as dores inevitáveis, mas livre de amarguras. 

Há vidas que se unem e se separam. Viver com outra pessoa não pode ser por obrigação. Obrigação está em ter a honradez na hora da separação. A vida não é uma linha reta. Poder voltar é para poucos. 

O apartamento que o Rui morou e deixou de herança para os nossos filhos é hoje o meu lar, o meu aconchego. Me sinto segura e em casa. Se nada acontece por acaso, a volta que eu dei mostrou de onde, talvez, eu nunca deveria ter saído. Porém, se assim não tivesse acontecido, eu não teria tido a oportunidade de vivenciar experiências que me fizeram poder hoje refletir e chegar a esta conclusão.


A vida me deu a chance de recomeçar.

Descrição detalhada das fotos para acesso do deficiente visual (para saber mais clique aqui : 1  Foto ( Arte Iugui Comunicações)  de uma garrafa de café na cozinha do apartamento.



 
O texto abaixo foi escrito por Virgílio no blog Virgílica's
que eu adiciono aqui como parte, complemento, resposta, mas principalmente como carinho recebido.


LÁ NO APARTAMENTO DO RUI




Raquel.
    Como habitualmente faço, li seu blog “LÁ NO APARTAMENTO DO RUI”  publicado em 22 de novembro (data em que faria 73 anos se aí estivesse) e me emocionei; nós jamais perdemos a capacidade de nos emocionar.
    Vou, (sem trocadilho) um pouco além: senti uma enorme saudade do que vivemos e convivemos juntos, dos nossos filhos (Vinicius e Bernardo), que de crianças criadas com muito carinho e amor, sem, contudo, abrir mão dos valores morais que necessitariam para se transformar em homens dignos e honrados. E você, sem dúvida tem um papel importante nessa formação. Foi sempre mãe, sem titubear em dizer não quando preciso, firme quando necessário, sem jamais deixar de ser afetuosa e carinhosa. Não passava as mãos pela cabeça por qualquer tentativa ou comportamento que fugia aos padrões estabelecidos.
    Raquel, seu relato de nossa convivência do início como conhecidos que se transformaram em amigos, parceiros e confidentes, sem falar da cumplicidade em arranjar namorados recíprocos foi um retrato fiel da realidade.
    Não posso deixar de elogiar a sua elegância (você sabe a que me refiro), que jamais esquecerei. Aliás você escreve maravilhosamente bem, com bastante brilho e um estilo inconfundível. Continue presenteando seus leitores daí e daqui (risos).
    Querida Raquel, daqui compartilhei seus sentimentos para se mudar. Confesso que dei uma ajudinha para que você superasse essa dificuldade e sempre que percebia sua dúvida, lhe incentivava anonimamente. Lembra-se do dia que os meninos lhe deram as chaves? Foi ideia minha.
    Sim, vidas se unem e se separam, pois viver com alguém não é obrigação e sim, parceria, cumplicidade, comprometimento e muito amor. Tenho hoje a certeza que o amor nunca deixou de existir. A diferença é que você teve a oportunidade de recomeçar, enquanto para mim só na próxima. Garanto que não irei desperdiçar.
    Não Raquel, ali não é o apartamento do Rui em nome dos nossos adoráveis filhos Vinicius e Bernardo, o nosso grande patrimônio. Ali é o nosso apartamento, ou melhor, O APARTAMENTO DA RAQUEL.
    Despeço-me desejando a vocês toda a felicidade do mundo e por ter voltado ao lugar de onde nunca deveria ter saído.
    Beijos afetuosos.
     Rui  
   
   

8 comentários:

  1. Esta é a Raquel...cada vez te admiro mais!!! Parabéns pela aprendizagem da vida!!! Sucesso nas futuras decisões, muita alegria e paz!!! Bjs!!!

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  2. Só posso dizer, mais uma vez, o quanto estou feliz com a sua decisão. Beijos.

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    1. E eu só tenho a agradecer o carinho de sempre.

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  3. Que lindo, Raquel!!! Seja feliz no teu lugar de conforto!!! Feliz por vc!!! Bjs

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