quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Paraty da colônia à modernidade




Vá a Paraty. Essa é a primeira recomendação. Depois você escolhe como e por onde começar a explorá-la. Há roteiro histórico, ecoturismo, trilhas, rappel, canionismo, arvorismo, tirolesas e encantadores passeios de lancha, barco ou escunas.

Estando lá, e encantada entre as construções coloniais, optei por um passeio à pé, de manhã bem cedo, com o objetivo de bater fotos das casas e ruas. Só assim teria imagens sem os milhares de visitantes que andam por todo o centro histórico e que logo surgem em grupos acompanhados de guias turísticos.


A impressão que se tem na chegada, é de que a cidade parou no tempo. O primeiro impacto, por mais que você leia e se intere do assunto, é trilhar por sobre as pedras “pé-de-moleque” fincadas no chão pelo escravos. Prepare-se e use um calçado seguro para se equilibrar sobre elas, e então sentir-se cambaleante e vivendo entre 1530 a 1581 em pleno Brasil Colônia.

Mas, logo essa primeira impressão, de cidade que parou no tempo, se desfaz. Para isso, basta dar uma volta no centro histórico e sentir a Paraty atual.  Descolada de opções em cultura, gastronomia e divertimento, ela é um misto de tradição e modernidade de ambientes climatizados e repaginados, sem perder as características coloniais.

Pode-se dizer que a cidade é emoldurada pela arquitetura colonial.  Ela viveu seus anos de glória e riqueza no Ciclo do Ouro, quando se tornou a mais importante rota no escoamento de ouro, diamantes e café. Essa riqueza vinda de Minas Gerais,  tinha como destino à Europa, através do porto de Paraty.

A abundância desse período está representada nas casas com abacaxis como detalhes das janelas. Isso significava que ali morava um nobre. O amarelo representa o ouro, coroa como o rei, com sentido de boa sorte, prosperidade e hospitalidade. De acordo com informações dada aos turistas, isto "nada tem a ver com a maçonaria", embora tenham sido eles que urbanizaram a cidade. Outra característica do poder econômico à época são as construções com um segundo andar que serviam como torre de vigia.  Por toda a Paraty colonial há apenas uma única casa com três andares. Este ponto era tido como um observatório. 

Hoje, Paraty é voltada para a cultura e o turismo. É comum ler nos cardápios indicação de pratos e drinks com a observação de prêmios recebidos nos festivais que acontecem por lá. Um deles é o Festival da Cachaça, Cultura e Sabores. que visa valorizar os métodos de produção da cachaça, a cultura caiçara e gastronomia. Suas ruas são palco de festas religiosas, folias de carnaval e a cidade se torna a capital dos intelectuais quando acontece a badalada Festa Literária Internacional.

Por essas ruas centrais, entre tantos artesãos, há índios vendendo e demonstrando habilidade no artesanato. A um deles me dirigi querendo saber de um enfeite de cabelo, ao qual respondeu: 40 reais. Deixei de lado, achei caro, mas me interessei em saber qual era a pena que ele usava, tamanha era a beleza do trabalho. "É papagaio", respondeu ele. Larguei a peça e saí me questionando: Índio pode tirar pena de papagaio para fazer trabalho artesanal e vender? Vale uma reflexão: a prática de subsistência para ele é crime para nós. 

Tombada Monumento Nacional desde 1966, nem tudo pode ser considerado maravilhoso na cidade. Ela sofre por descuidos e falta de atenção administrativa do poder público. Há sujeira nas ruas e são constantemente alagadas com as enxurradas de água da chuva. Em alguns pontos chega a cheirar mal. Os alagamentos, mais os altos preços na alimentação e comércio são os principais problemas apontados pela atendente do Sebo Cultural Paraty, que diz: "como moradora da cidade também sofremos com os preços elevados que cobram dos turistas".

Paraty tem opostos no seu cotidiano. Ela tem "Encantos & Malassombras", é linda, é pacata, mas os andantes se atropelam como na hora do rush das grandes cidades. Os restaurantes atendem só até às 22h, mas estão nas calçadas desde a manhã cedo. É vibrante, se irradia entre o azul do mar e o verde da Mata Atlântica, e entre esses dois extremos tem o colorido dos barcos e os casarios coloniais.
Sorveteria com mesas em rua de pedra "pé-de-moleque".
Casario colonial com o terceiro piso que servia de observatório
Rua do centro histórico com  o Fórum Judicial em primeiro plano.
Igreja Santa Rita de Cássia
Rua do centro histórico.
Janela com o detalhe do abacaxi em arandelas.
Casa com parede pedra
Igreja Nossa Senhora dos Remédios
Embarcações de passeio
Kombi colorida de venda de livros
Rua central com mesas do restaurante colocadas na rua.
#SuperLinda em rua central
* Encantos & Malassombras é o título de um livro de Thereza e Tom Maria comprado no Sebo da praça.

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