quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Eu vi mais do que beijos em boca


O Sol ardia mostrando ser a bola de fogo que é. Só a água do mar, azul cintilante, com seus poderes oceânicos, seria capaz de refrescar um dia como aquele.

Sentada no lugar de sempre, com o guarda-vidas às minhas costas, cadeira de praia, guarda-sol montado, o livro Separação dos Amantes, de Igor Caruso, na mão, celular ligado, WhatsApp, Twitter, Facebook ativados, falando com gente de todo o mundo - o tempo passou sem que eu percebesse. Realmente se você participa de redes sociais nessas horas elas te servem de companhia. Sempre tem alguém on-line para trocar uma ideia.

Meus pensamentos viajaram, influenciados pelas páginas do livro que lia. Matei gente, esfolei outros, alguns até com requintes de crueldade, variável ao tamanho da dor que me fizeram sentir. Outros, “só” quebrei as pernas...

Nada tirava a minha concentração. Até que um casal chegou à praia, já no meio da tarde, e o que vi foi uma sucessão de cenas de carinho, sedução e paixão.

Provocador. Foi então que eu viajei até o infinito exercitando a verdade que defendo de um amor assim. E ele existe. Se manifesta em corpos marcados pelos anos, como o meu, sensualiza sob o pretexto do filtro solar, intercalado por longos e molhados beijos na boca.

Não resisti. Fui até eles e me deparei com um amor da vida real em fase de conquista. Libertos da fantasiosa ideia do prazer baseado na beleza da juventude, sem pregas e sem gordura localizada, eles não se intimidaram ao serem notados.

Voltei para o meu lugar e aos meus pensamentos, agora um pouco mais benevolente comigo. Para que ficar naquela vibração ruminando em sentimentos de rancor se posso desejar a felicidade para mim mesma?

- Não é isso que você diria a alguém em aconselhamento?

Troquei tudo pelo amor que vi no sorriso e brilho estampado nos olhos de Clara e Paulo, seus nomes fictícios.

Inverter meus pensamentos tornou-se minha especialidade.

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