domingo, 17 de dezembro de 2017

Joinville das Águas

Está é uma reportagem feita originalmente como trabalho acadêmico, desenvolvidos pelos alunos da 4a Fase de Jornalismo, Fernanda de Lourdes Pereira, Leticia Rieper, Kaue Natan Vezentainer, Israel Antunes e Raquel Ramos, para a matéria Jornalismo Digital III, professora Kérley Winques,  da Faculdade de Jornalismo Bom Jesus Ielusc. O SuperLinda começa a mostrar ,o conteúdo a partir de hoje, divido em 4 capítulos.
A matéria completa pode ser vista clicando no link https://readymag.com/u89483194/904359/

JOINVILLE DAS ÁGUAS

Vista panorâmica da Praia do Vigorelli


Um pequeno pedaço de terra dado aos alemães, trouxe para cá pessoas que a transformaram na maior cidade e potência econômica de Santa Catarina.
Comemora seu aniversário no dia 9 de março, dividindo seus abraços com o Dia Internacional da Mulher. Seria um acaso ou há evidências e semelhanças que a tornam merecedora de aplausos neste dia? Seu planejamento urbano é de ruas estreitas, de idas e vindas, tal qual as turbulentas cabeças femininas. Vias em constantes reparos, exigem a reconstrução das calçadas e dos buracos no asfalto. Obras necessárias para seu desenvolvimento e cuidados na infra estrutura, remodelação urbana  e enchentes.
Seu nome é Joinville, empoderada ela cresceu. Se fez forte à base da indústria de ferro, sem endurecer seu coração. Faz da chuva, que tanto assola essa terra, parecer lágrimas escorrendo entre suas flores. Se espalha geograficamente nos quatro cantos, como quem se alonga para manter a elegância.
Quente e úmida, o excesso de água que desce do céu é um tesouro natural. Rodeada de rios e do mar, tem uma localização privilegiada, próxima da serra e do litoral.
Nesta reportagem você vai conhecer uma cidade cheia de encantos para se refrescar. Está calor? Então jogue-se ao mar da Praia do Vigorelli ou deleite-se nas corredeiras dos rios Cubatão, Piraí e Quiriri, com suas belas cachoeiras e trilhas ecológicas. Está afim de algo mais radical, então aproveite para conhecer o bairro Vila Nova, muito procurado pela turma do pedal, com belas paisagens e mais rios para se aguar.
Você sabia que aqui também temos uma ilha? Venha conhecer o novo parque Porta do Mar, com acesso a Baia da Babitonga, de frente para o Morro do Amaral, de onde parte o barco Príncipe levando turistas para passeio. Siga essa trilha pelos próximos capítulos e descubra A Joinville das águas.
Vista da área urbanizada pelo moradores, coqueiros, mesas de restaurantes à beira do mar. , 

Há quatro décadas “as terras que eram do Procópio Gomes” conforme diz o morador Jonatas Alves Pereira, vivem em torno de polêmicas intermináveis, processos judiciais e discussões sobre o meio ambiente.
Esperando por uma urbanização da prefeitura, a população que mora ou explora comercialmente o local, trata da melhor forma possível, de dar à região o valor turístico que ela merece.
Rebaixada à “praia de lôdo”, ela é, na realidade, terra de mangue de relevante importância ao equilíbrio do meio ambiente. A Vigorelli está transformada em um dos melhores locais da cidade, graças a calmaria de sua águas, para a prática da pesca e esportes náuticos. Os moradores reclamam da infraestrutura, enquanto os visitantes, das mais variadas regiões que aqui chegam, falam das maravilhas do lugar.


Foto da família Cardoso

           O caminhoneiro Silvestre Rodrigues Cardoso e sua família, vieram de São José dos Pinhais, a maior cidade às margens da BR 376, no sentido norte, antes de Curitiba (PR). Além do passeio, Silvestre falou do seu prazer pessoal, pela compra da Kombi, em que estava viajando. “Eu estava procurando uma há muito tempo. Queria esse modelo bem antiguinha. Tem que restaurar mas o motor dela está bonzinho, contou ele com orgulho. Vieram em busca de “coisas” diferentes para fazer, já que pescaria, onde moram, só existe em pesque pague. Decidiram voltar para a sua cidade, fazendo o retorno pela balsa até a Vila da Glória, passando por Itapoá e Garuva e alcançar a BR 101 em direção ao Paraná. É melhor e mais bonito, disse o caminhoneiro.


Foto de mesas de restaurantes colocadas na areia com garças ao fundo, sobre troncos, dentro mar.

A comerciante Mônica, moradora do lugar há 40 anos, ao ser perguntada sobre a influência da situação econômica no seu estabelecimento, olhou para a família Cardoso, parada ao lado e disse “Todos que querem aproveitar e se divertir encontram uma forma para fazê-lo.” Sem telefone, energia elétrica, internet muito ruim, ela não tendo como passar cartão e completa "por isso só aceito pagamento em dinheiro". Embora, já tenha pensado em ir para outro local em busca de melhores condições, fala com prazer do local onde vive desde criança e de onde não quer sair.
Entre outras reclamações comentou que muitos turistas estrangeiros ou de partes mais distantes do Brasil, só visitam o bairro levados por taxistas. Com ar de indignação afirma: Quando chegam aqui ficam encantados, comem peixe, tomam cerveja e se mostram contrariados com as informações dos agentes de turismo de que Joinville não tem praia.

Foto de Sergio Leite e Vanderlea Bracher com suas bicicletas e o mar aos fundos.

Sempre de bicicleta, Sérgio Leite, motorista de caminhão, e Vanderlea Bracher, comerciante de loja de roupas,  moradores do Bairro Jardim Paraíso, fazem este programa com frequência. Eles saem para pedalar naquela região, mesmo faltando asfalto num trecho por onde passam. _“vale muito a pena vir aqui para ver esse visual” fala Vanderlea apontando para o mar tranquilo à frente deles.
Sérgio dá como sugestão de outros passeios, com opção de água, a localidade de Ponte Alta onde passam mais rios, "coisa mais linda" afirma ele, acrescentando também o Bairro Espinheiros de onde sai o Barco Príncipe, porém, fica difícil percorrer cerca de 16 km, para ir até lá, principalmente porque tem que passar pelo centro da cidade, onde não há ciclovias.

As dificuldades diárias dos moradores desta comunidade se concentram na falta de infraestrutura, esgoto sanitário e de energia elétrica. Tudo isso numa distância de 19 km do centro da cidade e num período de 20 anos desde que a primeira família ali chegou. A energia é obtida de gerador, inclusive, para os poucos postes de iluminação de rua, instalados por donos de alguns estabelecimentos comerciais.
Vista panorâmica da parte urbanizada em frente ao mar.
A praia da Vigorelli, em Joinville,  no Bairro Cubatão poderia ser definida como  um lugar bucólico à beira mar. Num dia em que o sol só aparecia para se espreguiçar, voltando em seguida a se esconder entre as nuvens, não frustrou os visitantes que foram em busca de paz, sossego, peixe, camarão e cerveja.
O mar por si só se faz de protagonista nesta paisagem. Calmo e sereno as pessoas podem, por um dia que seja, ficar em devaneio com a natureza. Ainda a espera do forte sol e calor do verão, é possível aproveitar-se do silêncio e se ater a detalhes da paisagem. Observar o sutil comportamento das aves em voos rasantes ou atentas, sobre as embarcações, a espera do momento certo de bicar ou abocanhar o peixe para dele se  alimentar.
Não estranhe se ouvir o barulho das pequeninas ondas do mar. Elas sempre estão ali, apenas são silenciados pelos sons dos carros e vozes humanas, em períodos de alta temporada. Ir na Vigorelli é perder-se no tempo, olhando a travessia de balsa, ainda não substituída pela pontes de tráfego rápido, porém enchendo os olhos de quem procura tranquilidade.


Foto do quiosque de venda de chapéus, roupas de praia de ambulante próximo da balsa.
O ambulante já se faz presente à cabeceira do píer de embarque para a travessia até à Vila da Glória. A venda de roupas, chapéus, filtro solar é uma prática comum em pontos turísticos. Um sinal de quem está na labuta diária pela sobrevivência econômica. As casas de pescador, as "garagens" para quem quer deixar seu barco de pesca ou passeio, os apetrechos de pesca é prova cabal da vila de pescadores estabelecida ali.
Placa indicativa do processo de Ação Civil Pública das terras da Vigorelli

Seus moradores não querem perder a paz que reina na Vigorelli, mas reivindicam um conforto necessário e básico: a luz, a água, uma rede de esgoto sanitário. Querem o fim do processo judicial, para que seja removida, para sempre, a placa indicativa do processo que recaem sobre suas cabeças.
Foto da senhora Margarida Blase e seu marido em frente à sua casa
A complexidade dos problemas da Praia da Vigorelli não intimida seus moradores, que sentem prazer em morar no local. A situação da Sra Margarida Blase, mãe do proprietário da Escola Náutica, ali instalada, não é diferente. Ela se mudou para lá há 10 anos. "Morar aqui é um paraíso", assim Margarida define o que sente todos os dias quando acorda. Perguntada sobre a falta de luz em frente a sua casa, ela responde sem exitar: E Daí! Aproveitamos o que há de melhor no escuro. Esse silêncio.
Foto Panorâmica 


Foto Panorâmica
Foto Panorâmica
Foto com placa indicativa aluguel de box para barcos
Foto panorâmica da praia
Foto da Kombi do sr Silvestre Rodrigues Cardoso
Foto do quiosque de venda de cerveja, refrigerantes e caldo de cana




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