sexta-feira, 1 de julho de 2016

UM DIA PRA DESCER DO SALTO

As informações que a bombardearam nos últimos dias mexeram com os mais instintos e primários sentidos do seu aparelho psíquico irracional. Em outras palavras um dia para descer do salto.

Mas, para isso, teria que descer ao fundo do poço de onde mal acabou de sair. Um lugar escuro, frio, de onde ainda sente o forte cheiro da lama, e da qual não gostou.

_Para isso, nem que fosse em pensamento, teria que subir uma linda e perigosa serra. Rever as belas paisagens de plátanos e araucárias, testemunhas de lágrimas em viagens de regresso. 

_Para isso, teria que ir até uma terra prometida de amor de uma vida inteira, nunca encontrada. 

_Mais do que isso, teria que ainda estar sentindo a dor da perda de alguns anos atrás. 

_Teria que ainda estar com o nível de auto estima abaixo de qualquer unidade de medida.

Os pensamentos, a quantidade de estímulos sensoriais ativados, pelas lembranças, os sons, as cores, os cheiros, o toque, a visão, chegaram de forma ameaçadora como tentativa de exploração de terror emocional. Atitudes tomadas para provocar e não por amor, com fantoches vestidos de juventude podre, não abalam mais.

Sem precisar recorrer à capacidade intelectual, apenas às sensoriais, ela olhou naquela direção e não viu nenhum desvio no caminho traçado. 

mesma longa estrada já percorrida continua sem fim e sem destino, fácil apenas de prever o próximo passo.

De pés no chão, sem descer do salto, mas sempre marca d'agua.

"aí eu lembro da placa
RETORNO e acho que 
nela deveria ter um 
subtítulo que diz assim:
RETORNO - ÚLTIMA CHANCE DE VOCÊ
SALVAR SUA VIDA.

Você provavelmente ainda está indo.
Não é culpa sua.
É culpa do comercial 
que disse: "compre um e leve dois". Texto da jornalista Téta Barbosa.

A culpa pode não ser sua, mas a responsabilidade e atitude, sim.

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