segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Joinville das Águas - A Ilha do Espinheiros - Parte 3

Está é uma reportagem feita originalmente como trabalho acadêmico, desenvolvidos pelos alunos da 4a Fase de Jornalismo, Fernanda de Lourdes Pereira, Leticia Rieper, Kaue Natan Vezentainer, Israel Antunes e Raquel Ramos, para a matéria Jornalismo Digital III, professora Kérley Winques,  da Faculdade de Jornalismo Bom Jesus Ielusc. O SuperLinda começa a mostrar ,o conteúdo a partir de hoje, divido em 4 capítulos.

A matéria completa pode ser vista clicando no link https://readymag.com/u89483194/904359/


As histórias da origem do bairro Espinheiros são desconhecidas da grande maioria da população joinvilense e até mesmo de muitos de seus atuais moradores. Poucos sabem, por exemplo, sobre a plantação de café, uma riqueza cultivada naquele local, quando o transporte ainda só se dava por embarcação navegável, conforme relato no blog Moinho dos Ventos:  “O café, produto muito cultivado, era vendido para o extinto Café Amélia. Dona Maria Monteiro do Livramento conta que a roupa era feita de saco de farinha. Folhas de mangue eram vendidas para as Indústrias Reunidas C.Kuehne S.A. Cortume para o Sr. Ricardo Karmann, que das folhas tirava a resina. A folha do mangue era transportada de canoa. Essa atividade se encerrou a mais de 40 anos. Outro produto vendido, era a lenha. As compras eram feitas no Mercado Municipal pois na região não haviam comércios”.  [sic]   


Uma terra tomada por um mato de espinhos, daí a origem do nome Espinheiros, é também rodeada de água por todos os lados. Não se espante diante da afirmação "rodeada de água por todos os lados", pois esta região, rica em peixes como tainha, bagre, parati e pescada, é uma ilha. Uma ilha que poucos se dão conta quando hoje transitam por ruas asfaltadas e pontes de concreto, uma realidade diferente do início da urbanização do bairro.



De conhecimento desta particularidade geográfica, é possível compreender o comentário do senhor José Olegário Santiago:
_ é bom morar aqui porque sempre tem esse ventinho vindo do mar, explica. As pessoas vêm ao bairro à passeio, fazem caminhada, aproveitando o ar de praia pelas calçadas da rua Antônio Gonçalves. Após a urbanização é como se tivessem construído uma avenida beira mar no Espinheiros.  "A água que circunda a ilha é um canal de grande profundidade, mas a gurizada não tem medo e pula à vontade", diz o aposentado, Coordenador do Grupo de Idosos N. S. dos Navegantes.

Senhor José Manoel da Silva empurrando a bicicleta sobre o trapiche
A pesca realmente é o que une as pessoas em torno do píer. O prazer de fisgar um peixinho faz com que José Manoel da Silva, o Pelé, como é conhecido, venha do Profipo até o Espinheiros de bicicleta, pelo menos duas vezes na semana. Mora em Joinville há mais de trinta anos, mas há pouco tempo conheceu as belezas do bairro. “Eu vim a primeira vez no ano passado, meu filho conheceu uma menina e mora com ela aqui”, explica o aposentado que agora ocupa alguns de seus dias desta forma.


Vista panorâmica da Baía da Babitonga com uma lancha branca e no fundo o Morro do Amaral
De fato, o dia estava brilhante. A maresia nos transporta ao clima de praia. A água salgada exala seu cheiro próprio e inconfundível, incitando o paladar para o tempero servido nos restaurantes em toda a orla.
Não há como negar o sentimento que surge quando acontece o primeiro contato entre os olhos e a esta paisagem. Se estabelece, de imediato, um fascínio à primeira vista e uma relação amistosa entre os amantes do mar e as águas do Espinheiros. Antes das 10h da manhã, o  pátio de estacionamento de acesso ao Barco Príncipe já está repleto de carros e ônibus, sinal certo de lotação completa e da embarcação pronta para partir.

Pier de embarque no Barco Príncipe
Sr Miguel
O Sr Miguel é quem recebe as pessoas no píer do Barco Príncipe. Ele informa que ali só é permitida a entrada de pessoas que vão ao passeio. Ele mesmo dá orientação aos interessados que chegam sem reserva antecipada. Entrega um folder de propaganda, mostra no mapa impresso o trajeto e fornece o telefone de contato para compra de tickets. Alerta que os turistas daquele dia já fizeram suas reservas com dois meses de antecedência. Explica que o barco vai e volta até São Francisco do Sul, pela baía da Babitonga, e que no preço está incluído o almoço que é servido à bordo. 

Barco Príncipe
Ao sinal sonoro, inconfundível, da buzina acionada pelo Comandante vê-se o Barco Príncipe zarpando. Seus passageiros se concentram nas áreas externas laterais. A vista, de tanta beleza, não pode ser desperdiçada. Sempre aos finais de semana, no mesmo horário, imponente, ele desliza sobre as águas do mar de Joinville. É um momento que nunca passa despercebido, nem mesmo do guardador dos carros no estacionamento, acostumado a essa rotina diária. Enquanto os donos dos automóveis se perdem no horizonte a bordo do Barco Príncipe, esse personagem anônimo, acompanha com os olhos as marcas na água deixadas pela embarcação rasgando o mar.

Portal Porta do Mar
A Abrasel, Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, publicou em 22 de novembro deste ano um artigo em seu site, onde mostra que o desenvolvimento do Espinheiros está ligado ao seu potencial turístico. O Parque Porta do Mar é um marco com a ideia de criar uma avenida gastronômica e explorar a  "desconhecida ilha", havendo já a intenção de  mudar o nome do bairro para Ilha dos Espinheiros.

Alencar Reinhold Júnior, técnico em eletrônica, frequenta o bairro há mais de quarenta anos. No dia da nossa visita estava com o filho pescando siri, o que faz já há alguns anos, e relatou que embora não sinta diferença na quantidade do crustáceo, " hoje não está dando nada”. Para ele, a Prefeitura deve continuar o investimento para além do Parque Porta do Mar. “O bairro está muito abandonado, esquecido”. Assim como o Sr Alencar, muitos outros vão ao trapiche com puçá em busca de siri.
Pescador de siri
Vista panorâmico do trapiche
Um trapiche público de 129m de extensão, sendo 17m deles flutuante, terminando com um deck de madeira, se transforma numa pista repleta de visitantes a olhar o mar. 


Baia da Babitonga, embarcação de turista e o Morro do Amaral.


Do outro lado a baía avista-se o Morro do Amaral, tão próximo que se tem a sensação de poder alcança-lo com a mão. Chega a ser irresistível o desejo de fazer a travessia, possível de ser realizada com pequenos barcos dos moradores locais.  Sobre o píer de acesso forma-se um corredor,  onde o público, protegido por barra de ferro, acomoda-se para pescar, se refrescar ou simplesmente admirar a beleza local.

Aline e Tatiane

Aline Cardoso e Tatiane são amigas e trabalham na mesma empresa. Tatiane, é paulista e está morando em Joinville há 4 anos. Gosta de morar aqui e das opções de lazer rural que a cidade oferece, assim como Aline, que aproveita os fins de semana para passear com a sua filha de quatro anos.

Foto do Sr Mário sobre a cadeira de rodas no trapiche
Com uma conversa muito simples, o popular “Índio”, cadeirante que encontramos no trapiche, conta quase toda a sua vida. “Aqui a gente vem para pescar siri, mas com esse vento, não tem siri.” Diz que apesar da cadeira de rodas, só a mulher e as filhas o impedem de fazer tudo o que gosta, inclusive sair embarcado para pescar. Acostumado a esta atividade de lazer, não vê nenhum problema, mas, que no entendimento delas, sair de barco é muito perigoso.

Quando vai para o trapiche, é a sua esposa quem o ajuda. "Ela sai, vai fazer as coisas dela e depois no final da tarde vem me buscar" diz Mário. Em casa ele troca a cadeira pela prótese para melhor se movimentar. Perguntado se não dá para ir ao trapiche usando a prótese, ele comenta da sua preocupação em estragá-la com a maresia. Durante muitos anos, trabalhou como motorista na PMJ (Prefeitura Municipal de Joinville). Hoje, aposentado, conta com entusiasmo da época em que era motorista e segurança dos prefeitos. Demonstra orgulho ao citar as viagens que fazia, levando o então prefeito Dr. Nilson Bender a Curitiba para tratamento de saúde. 

Foto dos barcos no Iate Clube
Nem só de tanta simplicidade assim são as opções que o bairro oferece. O Joinville Iate Clube, o JIC como é chamado, foi fundado em 1978 por amantes da Baia da Babitonga e dos esportes náuticos. Um empreendimento onde se realizam eventos esportivos, regatas e campeonatos de veleiros de oceano. Atualmente está classificado entre os melhores do sul do Brasil. É um clube destinado ao uso dos associados, porém, o restaurante, com vista privilegiada, está aberto ao público.
E as surpresas não param por aí.  O bairro já tem sua história descrita em contos. O livro Contos Populares e Cordéis do Bairro Espinheiros, reúne o textos escritos pelos alunos da Escola Municipal Maria Leal, sob a orientação da professora Ângela Maria Vieira. Do início da chegada dos primeiros moradores em casas levantadas sobre os mangues, lá se vão 25 anos. A grande área de mangue na zona leste da cidade, à beira da Lagoa Saguaçu, uma região discriminada, cheia de dificuldades de acesso e infraestrutura é hoje um dos locais mais procurados para lazer em Joinville. 

Sequência de foto do pescador jogando a tarrafa.


Seu blog dá acesso ao deficiente visual?  - Fotos feitas no bairro Espinheiros com vista da baía da Babitonga, o trapiche, o barco Príncipe, os personagens entrevistados.

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