domingo, 24 de junho de 2018

O choro de Neymar



Neymar dos Santos Junior tem 26 anos e a responsabilidade de garantir a alegria de 200 milhões de brasileiros na Copa do Mundo 2018 na Rússia.

O camisa 10 da seleção verde e amarela chorou em campo e roubou a cena. Como não poderia deixar de ser ganhou as manchetes dos jornais. A impressa tratou de justificar a atitude do jogador citando o que seus companheiros comentaram: muita pressão. 

A mesma compreensão não aconteceu nas redes sociais. Esta, como sempre, foi agressiva, irônica e maldosa. Não pouparam críticas nem piadas.

Há três meses Neymar foi parado. Parado por seu próprio pé. O mesmo pé que faz tantos gols, que lhe confere o título de um dos melhores jogadores do mundo interrompeu sua trajetória por um curto, mas precioso, período de tempo.

E por isso ele também foi criticado. Parece que o seu "pé de ouro", aquele que faz a vitória que tanto queremos, não merecia tratamento diferenciado.

Quando eu vi a cena, eu também parei. Parei e vi em campo um menino. Lembrei de uma fala da mãe de Neymar, no programa Matrioskas, se referindo a ele como a "sua criança". Pensei como estaria o coração desta mãe. Sim, para as mães os filhos são sempre crianças, independentemente do quanto ganhem em cifras.

Esses fatos  buscaram as  minhas memórias de pelo menos 25 anos atrás, quando em competições de judô dos meus filhos, eu sempre saía chorando. Ou porque eles ganhavam e eu me emocionava ou porque perdiam e me entristecia.

Mas não sou a mãe de Neymar, nem ele é meu filho. Sou apenas alguém que vê um rapaz que joga um futebol lindo, um verdadeiro craque com a bola no pé, pouco me importa se o cabelo é feito ou bonito, sendo massacrado pela opinião pública. 

Se não bastasse querer indicar o melhor tratamento ortopédico ao qual deveria se submeter, se dão o direito de opinar sobre a namorada.  Se feia ou bonita, se boa ou ruim atriz, e sobre o dia do seu embarque para a Rússia. Ele pode, mas não deve mandar buscá-la de avião, diz o povo.

O cara é um talento, um jogador de ponta, no sentido de extraordinário. Se vale o que ganha, não sei, mas há quem ache que ele merece e paga. A mim só resta torcer. 

Aliás, se energia positiva existe, coitado do nosso futebol nesta Copa. Porque são duzentos milhões em ação torcendo contra si mesmos. 



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