quinta-feira, 5 de junho de 2014

Em Joinville, falamos o idioma "Álêmón".




Foto dos cruzamentos das ruas Otto Pfuetzenreutter com Rua Guilherme e das ruas Ottokar Doerffel com Marques de Olinda

Hoje próximo do meio dia, quando entrei numa farmácia central, não pude deixar de ouvir a conversa entre dois homens e uma mulher. Pareceu-me de pessoas ligadas à farmácia, mas que certamente não conheciam bem a cidade. 

A mulher dizia: _nunca consigo dizer o nome daquela rua Otto não sei o que
E ouvindo os risos e as brincadeiras que rolava entre eles, sobre este assunto, fiquei pensando:

_Qual será a rua Otto a que eles estão se referindo, entre tantas que existe em Joinville? Rua Otto Boehm? Rua Otto Parucker?

Feitas as minhas compras, dirigi-me ao caixa e vi os três ainda parados e conversando ainda sobre o mesmo assunto. Sem me conter, prestando ainda mais atenção, percebi que um deles explicava à mulher como ela deveria fazer para chegar a tal rua Otto. E, pelas referencias que dava conclui que se tratava da rua Otto Pfuetzenreutter. 

Fui para o carro, escrevi num papel como é a pronúncia do nome Pfuetzenreutter. Voltei para dentro da loja, pedi licença e explicando que tinha ouvido a conversa deles, mostrei-lhes o papel, dizendo: _é assim que falamos o nome desta rua

FITIZENRRÓITER.

Foto da placa da rua Otto Pfuentzenreutter
Rimos todos e agradecidos, convidaram-me para tomar uma caipirinha e para o almoço. Foi quando conclui que realmente eles não eram de Joinville. Um convite deste em plena quarta feira, está completamente fora dos nossos hábitos e costumes.

Tudo não passou de uma simples troca de gentileza.

Em todas as cidades existem ruas com nomes difíceis de pronunciar. Aqui temos exemplos dos mais simples como Rua Dr João Colin, Rua Max Colin, Rua Rolf Colin, que muitos pronunciam CÓLIN até os Pfuentzenreutter, Kaesemodel, Schossland, Schattschneider e tantos outros.

Para mim nada se compara, em se tratando de dificuldade de pronuncia, a Rua Ottokar Doerffel. que se lê "OTOCAR DERFEL" (tentefalarrápidoetudojunto).


Foto da placa da rua Ottokar Doerffel

Em Joinville, por influência da colonização alemã, ainda é grande o número de pessoas que falam alemão e o português arrastado com forte sotaque. Se você perguntar se sabem falar alemão, lhes responderão em português: "Sin...sin no meu casa todos falam álêmon...uma fesss".

E o que não falta em Joinville, são nomes de ruas começando com Otto e de sobrenomes ainda mais complicados.

Rua Otto Albano Ganzenmuller

Rua Otto Arno Schwartz

Rua Otto Benack

Rua Otto Carlos  Steuernagel

Rua Otto Ludovico Schutzler

Rua Gothard Kaesemodel

Rua Hermann August Lepper

Rua Rolf Wiest

Rua Boehmerwald

Rua Jacob Richlin

Rua Otto Boehm

Rua Prefeito Helmth Fallgather

Rua Willy Schossland

Rua Gustavo Grossembacher

Rua Pastor Fritz Buhler

Rua Germano Gunther

Rua Arthur Baechtold

Rua Hans Dieter Schmidt


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*Descrição detalhada das fotos para acesso do deficiente visual (para saber mais clique aqui)

9 comentários:

  1. Gostei muito do texto Raquel e isso me fez lembrar que batizei o nome do meu cachorro da raça West de Colin, mas não em referência ao Rolf ou ao João rsss, mas sim ao ator irlandes Colin Farrell, primeiro porque sou fã dele e segundo porque a raça West é originária da Escócia e fiquei procurando um nome escocês para ele , como não achei um legal e a Irlanda faz parte da região da Gra Bretanha, batizei ele de Colin.Porém, ao contrário da pronúncia de Rolf Colin, que todos falam Rolf Cólin, o meu eles pronunciam aqui em Joinville COLIN, e eu tenho que explicar não é Colin é Cólin a pronuncia.

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    1. Oi Helinho, rsrsrs vamos fazer um post para explicar isto. Obrigada pelo seu comentário.

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  2. Oi, Raquel!
    Que complicação para quem não fala o alemão!
    Talvez a necessidade de escrever como pronuncia embaixo do endereço ou então, que os brasileiros ficassem à vontade para pronunciar conforme se interpreta as sílabas por aqui.
    Ainda bem que vivo em tempos de GPS, pois deve ser constrangedor pedir informações de rua em Joinville. Bateu curiosidade quanto ao nome da cidade, que não parece ser um nome alemão.
    Beijus,

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    1. Luma, a origem sobre o nome da cidade, é resumidamente assim: Joinville, foi fundada em 09 de março de 1851, o lugar de cujo significado do nome é “cidade feliz” foi dote de casamento da princesa Francisca Carolina, filha de D.Pedro I para o príncipe François Ferdinand Phillipe Louis Marie, de Joinville (cidade da França). A chegada dos Imigrantes à região foi possível depois de o príncipe ceder, em 1849, oito léguas de área para a Sociedade Colonizadora Hamburguesa.
      Os primeiros imigrantes alemães, suíços e noruegueses, que chegaram as terras brasileiras dois anos depois, e em homenagem ao Principe, os colonizadores passaram a chamar o local de Joinville. Abraços.

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  3. Realmente, para que vem de fora de Joinville, os nomes alemães devem ser um grande desafio. Mas com o tempo (e um pouco de interesse), a coisa fica "orgânica": a gente aprende e nem precisa - quando menos espera, está falando essa mistura de alemon com português, um veiz!
    Adorei o texto, Raquel. Muito bem humorado.

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    1. Andreia, morando aqui, não tem como não se adaptar, mas para quem está de passagem, é muito difícil. Vou retificar o meu texto e acrescentar o "um veiz". rsrs obrigada.

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  4. Ah, adorei o texto... moro em uma pequena cidade em que se fala muito o português misturado com sotaque italiano, alemão e alguns poucos falam com sotaque polonês.
    Adoro essa mistura cultural, sou descendente de italianos e "chio os esses" com orgulho de minhas raízes, ahauhauahau... adorei o tom bem humorado do texto e vi semelhanças com a região onde moro.

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    1. Eu também "chio os esses", mas o sotoque é açoreano. Embora more há anos em Joinville, nasci em Tijucas, próximo a Florianópolis, e lá todos falam no xixs. Bom te ver por aqui. Abraços.

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  5. Excelente! Não falo álêmon, apesar de carregar os sobrenomes oriundos...O que tenho é uma enorme facilidade para " pegar sotaque", rsrs...Tenho que cuidar muito, para não parecer deboche e entrar em saia justa...Adoro essa cidade, tão peculiar!
    Beijinhos, Ana

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