terça-feira, 8 de setembro de 2015

ENVELHECIMENTO - Inspirada no texto de MIRIAN GOLDENBERG

Há tempos tenho vontade de falar sobre isso, o texto de Mirian Goldenberg foi o start. Leia o link.

Mirian, há vinte anos eu passei pela mesma experiência que você mas fui além. Saindo de duas gravidezes quando engordei 25 kg em cada uma, a reparação cirúrgica foi inevitável. Eu caí nas tentações influenciada pelos médicos, pela mídia e não há nenhum arrependimento. 

Vieram os 50 anos e agora os 60. Junto com eles uma nova tentação com promessas de rejuvenecimento milagroso, com rápidos procedimentos para retocar aqui e ali. Acontece que 60 anos não são 40. Hoje nosso corpo está pedindo reparos no seu todo e a melhor solução se chama aceitação.

Sorte de quem chega a esta idade sem a síndrome da juventude FÍSICA eterna. 

Viver, ver e sentir a própria decadência e transformação física imposta pela natureza sem pedir licença é sofrido sim. Não vou negar não. Mas algo muito superior a isso, também se apodera de nós. O amadurecimento inteligente. Aquele que te faz pensar e enxergar o limite entre o que é se manter jovem e o que é ridículo.

Temos que beber muito mais água, temos passar muito mais creme na pele, temos que fazer muito mais exercícios e comer bem menos. Mas temos muita vida....ÔÔhhh!!! e como temos.
             
Temos sentimentos, temos carências, temos desejos, temos sexualidade. E essa última, minha amiga de 40 anos, a pleno vapor.
              
Na juventude temos esteticamente um corpo muito mais bonito, com tudo no lugar, hoje temos muito mais desenvoltura. Não nos preocupamos com caras e bocas e bundas empinadas, porque não as temos mais, e por isso nos soltamos muito mais ao prazer.

Não temos mais os seios jovens, mas temos peito para não colocar silicone e nos exibirmos ao nosso parceiro com sensualidade e autoconfiança.

As celulites que trazemos desde cedo não nós incomodam mais, já nos acostumamos com a presença delas. 
               
A segurança que tenho hoje diz que não preciso mais encolher tanto o abdômem a ponto de perder o fôlego, o que me deixa muito mais leve e natural para sorrir.
                
Posso, mas não quero fazer nenhuma plástica, colocar botox ou fazer reparos. Não quero concorrer com as mulheres de 30, me comparar com as de 40, ou desejar os meus 50 de volta.  
                 
Minhas rugas não são precoces e meu corpo tem as alterações do tempo. Passei a aceitar e só tenho que agradar a quem me aceita como a mulher de 60 anos que sou. Quero sim é viver feliz, com os meus sinais envelhecidos irreparavelmente instalados.

Essa é a beleza que tenho. Livre da exigência de ser o que não sou.

E aqui transcrevo o último parágrafo do seu excelente texto, fazendo minhas as suas palavras: "É a primeira vez que me sinto livre para ser eu mesma. É a primeira vez que posso brincar e rir de mim mesma. Aprendi a gostar dos meus defeitos e imperfeições. É o melhor momento de toda a minha vida". 


4 comentários:

  1. Raquel é impressionante como você a descreve, faz a gente parar e pensar em varias coisas que as vezes damos tanta importância sem ao menos parar e perguntar pra si mesmo se ja não estamos felizes do jeito que estamos... Lindas palavras... ( tentei escrever o que senti lendo, perdão dos erros! Não sou muito boa) Continue sempre nos encantando com seus posts

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    1. Elogios assim só me incentivam. Obrigada pelo carinho.

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