quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O BRASIL QUE A TV NÃO MOSTRA


Dedico este post ao meu cunhado Virgílio. Um baiano, casado, pai e avô. Corretor de seguros aposentado, conhecedor da História do Brasil, tem um blog Virgílicas, tem formação e informação política. Estudioso da Doutrina Espírita, um homem de princípios e honrado.
Como leitor do #superlinda acompanhou a viagem ao Pará e sugeriu que eu escrevesse um livro com o título "O Brasil que não se vê na TV" quando conversamos sobre as rodovias por onde passei. Ao que eu lhe respondi:
_Um livro não, mas um post no blog sim e darei o crédito do título à você.


Virgílio,

Assim são algumas das estradas por onde andei. Lindas, sob um céu azul radiante, margeadas por plantações de soja a perder de vista. Infelizmente, aos poucos, essa realidade vai mudando a sua frente.

São estrada de trechos pedagiados pagos para Odebrecht, que embora estejam asfaltados, não têm a duplicação obrigatória, nem acostamento. E, como sabemos, são ítens obrigatórios em cláusulas no contrato de licitação entre o governo federal e essa empresa, hoje envolvida na Operação Lava Jato.


Os desgastes de pneus, quebra de amortecedores, caixa de câmbio, freios são apenas alguns dos danos materiais nos veículos e prejuízos do proprietário. Irreparáveis mesmo são as perdas com acidentes e mortes de pessoas causadas pela necessidade que obriga os motoristas a desviarem dos buracos dirigindo na contramão.


A medida que os quilômetros são percorridos as crateras aumentam de tamanho e se prolongam até que desaparecem com o fim do asfalto. Porém, isso significa o início de outras, ainda maiores, na estrada de chão. A situação passa da condição de péssima para lastimável.


ESTRADA DE CHÃO é algo que não se concebe mais num país como o Brasil. Pior ainda, numa RODOVIA FEDERAL com a importância econômica igual ao peso das toneladas de milho e soja escoadas por essa única via terrestre.

Esta e a realidade da rodovia que o #superlinda percorreu por 1.700 km entre Cuiabá e Santarém. O trajeto é feito quase que exclusivamente por caminhões transportando grãos para EXPORTAÇÃO até o porto de Santarém.  

Um extenso trecho onde não há nenhum posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), nem sinal de celular. Se a viagem for em dias de chuva, sejam eles 1 ou 20, o tráfego para. Os caminhões patinam e deslizam mesmo que em terreno plano. Subir os morros é simplesmente impraticável. Os perigos de deslizamento aumentam nesse solo que se transforma em piso escorregadio como sabão.


Em tempos de seca, Virgílio,  os perigos ficam por conta da poeira e a visibilidade que se tem é esta.


Meu amigo, você ficaria indignado com os absurdos
encontrados a cada quilômetro. Na cabeceira da ponte há um aviso que certamente não foi colocado pelas autoridades ou orgãos federais competentes. 
 JESUS MELHOR AMIGO.

Mais perigoso do que buraco na pista é ter uma ponte de madeira por onde trafegam caminhões de 70 a 90 TONELADAS. Aproveito para te fazer uma pergunta:

_Você conhece a tabela de cálculo usada pelos caminhoneiros para passar por uma ponte assim?

Eles usam uma tecnologia de última geração baseada na idéia do "se o da frente passou, eu passo também".

O descaso é tanto que em algumas outras pontes vi placas do Denit indicando como peso máximo 40 toneladas. Ou seja, com esse aviso, se furtam da responsabilidade em caso de acidente.


Quebrou, bateu ou congestionou, simplesmente relaxe. Não há o que fazer senão contar com a ajuda e colaboração dos outros viajantes da estrada.


A visão que temos das construções e moradia da casa própria é esta: Triste realidade.


Virgílio, abaixo mostro uma das cenas que mais me tocaram, provavelmente pela expressão que li no rosto fotografado.

O mesmo homem que anda na beira da estrada, corpo caído, pesado, desanimado e cansado, tem um olhar sem expressão turvo de poeira. Foi quando ouvi a observação de quem estava ao meu lado. 
_ E é de pessoas assim que nas eleições pedimos um voto consciente.

Este é "Um Brasil Que a TV Não Mostra", que os políticos não se preocupam e o governo federal, muito menos o estadual, não fazem nada.



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