domingo, 28 de maio de 2017

Status de relacionamento: amor virtual


É bem assim que começa. 

Devagar, quieto, disfarçado; alguns às escondidas, teclando, curtindo, compartilhando... se interessando.
Tenho conhecimento de grandes casos de amor que iniciaram à moda virtual e sobrevivem há anos. O que eu não conheço são casos que tenham sobrevivido sem sair do mundo virtual. Sem se lançar para fora, eles morrem precocemente, sem amadurecimento, sem deixar resquícios, senão os de questionamentos.

O amor virtual, similar à sensação do primeiro toque, é "mais-que-do-que-perfeito". Mais platônico do que os idealizados por adolescentes, tão fantasiosos quanto, e deliciosamente excitantes, tudo de acordo com a imaginação e os desejos de cada um.  Mas observe que o termo "mais-do-que-perfeito" na nossa gramática diz que a ação nesse tempo verbal expressa um fato ocorrido antes de outro fato já terminado, ou seja, não sobreviveu. Vale o carimbo do SuperLinda: #ficaadica.

Esse tipo de amor é capaz de satisfazer todas as necessidades físicas, emocionais e o sentimento que "rola" é incompreensivelmente verdadeiro. Porém entenda, um escritor precisa colocar no papel o seu personagem para que ele exista; o cineasta tem que fazer rodar o seu filme para criar a história; um artista tem que colocar o óleo sobre a tela e dar vida à sua arte; assim, o casal tem de sair do virtual para vivenciar o seu amor - do contrário ele nunca existirá. 

Nas relações virtuais têm a conquista, o amor, a paixão, o friozinho na barriga, a expectativa do sinal online. Em contrapartida também há a decepção, o ódio, a frustração, o desejo de vingança, o desprezo, o desamor, a saudade. Assim é a relação que só sobrevive ao período inicial da conquista e paixão alucinante, onde identificam-se todos os sentimentos, menos o afeto e é de fácil descarte.

Procurar o que dá prazer, emoção ou tesão, mudou de lugar. Saiu dos barzinhos, das baladas, do ambiente de trabalho e se estabeleceu em um local mais próximo e acessível a qualquer hora do dia ou da noite. O celular.
Até o notebook, em cima da mesa ao alcance de qualquer um, já está ultrapassado. Nada é mais moderno, atual, prático e acessível do que este aparelho nas mãos para as práticas do amor virtual. É a Dopamina da qual ninguém quer largar.


Ameniza a solidão de quem está só, mas acelera o vazio do coração.

6 comentários:

  1. É bem isso Raquel, é a dopamina da qual ninguém pode largar

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    1. Oi Helinho. É algo que dá um prazer imediato.

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  2. Belo texto Raquel, no mesmo instante tão distante e tão próximo.

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  3. Oi Raquel! Texto lindo!

    Conheci meu love na internet e em 20 dias se falando on-line, veio para o real. Estamos juntos a 11 anos, e posso te dizer que sua afirmação "Ameniza a solidão de quem está só, mas acelera o vazio do coração", é a mais pura verdade.

    Bjs

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    1. Oi Karina. Você confirma o meu pensamento. Esse amor existe e pode sobreviver, mas tem que sair do virtual. Sê Feliz!!!!

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